Duas atitudes que extrapolam (negativamente) o significado de futebol no Brasil

Ex-diretor do Inter dá um soco em jornalista em programa de TV e torcedor do Flu fala o diabo para pacatos seguidores do Inter

Robson Morelli

13 de dezembro de 2016 | 10h47

O fim do Campeonato Brasileiro produziu duas cenas de repúdio de ‘bandidos’ travestidos de torcedores. Talvez a última do ano. Um deles veio do Rio de Janeiro, de um cara que se dizia tricolor carioca. Ele destratou até o limite da honra um grupo de seguidores do Internacional após a queda do time do Sul para a Série B. Falou o diabo para os visitantes como se Fluminense e Inter tivessem alguma rivalidade histórica, estivessem disputando um caneco ou envolvidos em algo maior que os 90 minutos de bola rolando. O valentão, que me recuso a citar o nome aqui, apostou na força dos amigos e parceiros para ferir verbalmente os pacatos e da paz torcedores do Colorado. Brincar com o adversário, sorrir, tirar sarro é até aceito e comum no futebol. O que não é comum tampouco aceito é a atitude desse cidadão tricolor, longe de estar em estado sóbrio, destilando ódio e preconceito de graça. A cena foi pra lá de revoltante.

O segundo episódio condenável, para dizer o mínimo, foi  o soco desferido pelo ex-presidente do Inter a um comentarista esportivo em programa de TV que criticava a gestão do clube rebaixado. Fernando Miranda perdeu a razão e tudo mais o que sua mãe lhe ensinou para tentar resolver discussão no braço contra o jornalista Julio Ribeiro. Cena grotesca de um ex-cartola moldado na selva. Felizmente ele não faz mais parte da  administração do Inter, muito maior do que seu ex-dirigente e suas atitudes. Não tenho dúvidas de que o Inter vai voltar para a elite em breve e que não precisa de gente como seu ex-dirigente por perto. Gente assim só atrapalha.

Os dois comportamentos ridículos e vexatórios, cabíveis de ações judiciais, vão na contramão do que é o futebol brasileiro, da paixão de sua torcida e do exemplo para milhões de crianças. Esses senhores envergonham nosso maior patrimônio, a força da nossa tradição futebolística e a herança que tantos jogadores nos deixaram no passado. Deveriam abandonar os estádios e ‘voltar’ para a selva, provavelmente de onde saíram.

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