Dunga convoca apenas ‘estrangeiros’ para poupar times do Brasil neste fim de ano

Marin pedi para treinador não chamar atletas do País nesta reta final de Brasileirão e Copa do Brasil

Robson Morelli

23 de outubro de 2014 | 12h19

Dunga apresentou nesta quinta-feira sua nova lista para os amistosos contra Turquia, dia 12, e Áustria, dia 18, que encerram o ano da seleção brasileira. Diga-se, um ano ruim com a Copa do Mundo em casa, com a derrota de 7 a 1 para a Alemanha e com o desinteresse que isso motivou no torcedor depois da boa Copa das Confederações. A convocação foi feita com jogadores que atuam no exterior a pedido do presidente da CBF, José Maria Marin, para não prejudicar os times brasileiros na reta final de Copa do Brasil e Brasileirão. Então, embora a relação apresente bons jogadores, não é a seleção como os melhores.

Alguns jogadores que atuam no Brasil merecem estar no grupo. Tardelli é um deles, que vive boa fase. Paulo Henrique Ganso também, só para citar dois. Dunga aposta em alguns nomes que podem se animar para outras convocações, mas corre risco de fazer uma lista imensa de jogadores e depois não conseguir formar uma equipe, e treiná-la, e dar padrão a ela e melhorar de onde parou Luiz Felipe Scolari, seu antecessor. Mano, vocês se lembram, listou 12 goleiros no tempo em que esteve à frente do Brasil.

Como o treinador não pôde chamar jogadores do Brasil, imagino que alguns nomes desta lista sejam descartados mais para frente. Tomara que Dunga não caia na tentação de testar jogadores em cada apresentação. Entendo que atleta que chega na seleção já foi mais do que testado e aprovado. Não precisa mostrar nada para ninguém. Não aceito essa coisa de grupo, de saber como o cara se comporta com a camisa do Brasil ou essas coisas que treinadores como Dunga inventaram para justificar suas atitudes. Fosse assim, Garrincha, que gostava de uma escapadinha, não teria jogado na seleção. Nem Romário nem muitos outros craques que tinham outras fraquezas.

A seleção precisa reunir os melhores e não os mais ‘santos’ ou comportados. Isso precisa ficar claro nessa comissão técnica, que tenta reorganizar do futebol brasileiro. Os comandantes precisam tirar o melhor de seus pupilos naquilo que eles são melhores, e contornar até o limite do aceitável sua permanência no elenco. Simples assim.

Gosto também da ideia de Dunga de levar com o grupo a cada relação de amistosos um ex-jogador para se juntar à comissão técnica, dar ideias, sugerir situações, observar. Desta vez, Dunga ‘convocou’ o ex-zagueiro Oscar, do São Paulo e da seleção, que disputou as Copas de 1978, 1982 e 1986. Ótima escolha. O único senão que sinto, e aqui faço questão de destacar que é apenas um sentimento, é para o fato de alguns desses convidados terem funções que podem chocar ou não ser moralmente aceitável em se tratando de seleção. Refiro-me ao fato de que alguns ex-atletas hoje são empresários de jogadores, agentes, precisam desse trabalho para ganhar a vida. E esse, entendo, é um trabalho como qualquer outro. Só temo, é é apenas um temor, sem qualquer acusação, que esses ‘convidados’ misturem as coisas e que os membros da comissão técnica da CBF se deixem envolver nesta mistura e, que dessa forma, o Brasil vire um balcão de negócios.

LISTA DE CONVOCADOS

GOLEIROS: Rafael Cabral (Napoli), Neto (Fiorentina) e Diego Alves (Valencia)

ZAGUEIROS: David Luiz (Paris Saint-Germain), Marquinhos (Paris Saint-Germain), Thiago Silva (Paris Saint-Germain) e Miranda (Atlético de Madrid)
LATERAIS: Mário Fernandes (CSKA), Alex Sandro (Porto), Filipe Luiz (Chelsea) e Danilo (Porto)
VOLANTES: Luiz Gustavo (Wolfsburg), Rômulo (Spartak), Fernandinho (Manchester City) e Casemiro (Porto)
MEIAS: Oscar (Chelsea), Firmino (Hoffenhein) e Willian (Chelsea), Philippe Coutinho (Liverpool)
ATACANTES: Neymar (Barcelona), Lucas (Paris Saint-Germain), Luiz Adriano (Shakhtar) e Douglas Costa (Shakhtar)

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