Dunga e Tata Martino trabalham no fio na navalha

Treinadores de Brasil e Argentina se enfrentam nesta quinta-feira, em Bueno Aires, pelas Eliminatórias. Um poderia chegar para o outro e perguntar: 'colega, fica até quando no cargo?'

Robson Morelli

12 de novembro de 2015 | 11h13

Dunga e Tata Martino são treinadores que trabalham no fio da navalha. Um passo em falso e perdem o emprego. A condição dos técnicos de Brasil e Argentina, respectivamente, o torna cúmplices nessas Eliminatórias para a Copa da Rússia, e ‘parceiros’ no confronto de quinta-feira no Monumental de Nuñez, válido pela terceira rodada da competição. Um poderia chegar para o outro, à beira do gramado em Bueno Aires, e dizer: ‘como vai, amigo! Acha que dura até quando?’ Ambos têm nas mãos dois timaços em condições iguais na disputa, mas com histórico recente diferente.

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Dunga assumiu o Brasil das mãos de Felipão após o vexame do 7 a 1 para a Alemanha e 3 a 0 para a Holanda, encerrando de maneira melancólica a participação da seleção na Copa do Mundo. Não teve nada a ver com isso, todos sabem, mas a partir do momento em que aceitou o cargo (poderia ter falado não), passou a responder pelo fracasso do futebol nacional nos últimos anos. E até agora, pouco fez para que o Brasil superasse seu trauma e a total desconfiança do torcedor.

Tata Martino, da mesma forma, assumiu a equipe argentina após a saída de Alejandro Sabella, que levou o time até a final da Copa do Mundo com a Alemanha no Maracanã, ficando em segundo lugar, mas, diga-se, com reais chances de ganhar a partida. Tanto Martino quanto Dunga fracassaram na Copa América do Chile, neste ano ainda. A diferença é que o Brasil voltou mais cedo para casa, enquanto que a Argentina, com Messi, acertou mais uma vez a trave na decisão com os donos da casa, caindo nos pênaltis. Por fim, a coincidência que toma os dois treinadores, rivais nessa rodada, é o fato de ambos sofrerem pressão para deixar o cargo. Os torcedores torcem o nariz para Dunga e Tata.

Por quê? Porque as seleções estão jogando mal e ainda sofrem baixas importantes, como a de Messi. Há um entendimento de que os dois países têm bons jogadores e dois craques. No caso do Brasil,  Neymar, claro. E que esses treinadores não estão dando conta de achar uma maneira de atuar e de fazer o elenco responder à altura da qualidade mostrada por eles em seus respectivos times na Europa. Não se vê bons jogos nesse começo das Eliminatórias de Brasil e Argentina. Tata Martino perdeu em casa e empatou fora. Soma um ponto. Dunga apanhou fora e ganhou em casa. Tem três. Daí a necessidade de as duas seleções somarem três pontos no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. E o treinador que perder, estará mais pressionado.

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