Dunga, Gilmar e Romário, amigos na conquista do tetra e ex-amigos na vida real

Senador faz acusações sobre 'interesse' da dupla da CBF nas convocações dos jogadores para a seleção. Treinador e diretor prometem levar 'ofensas' aos tribunais

Robson Morelli

29 de setembro de 2015 | 16h01

A troca de farpas entre o técnico da seleção brasileira, seu diretor e amigo, Gilmar Rinaldi, e Romário, senador e principal jogador da conquista do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos, em 1994, quando todos vestiam a mesma camisa, ultrapassou todos os limites do bate-boca. As acusações são pesadas de Romário contra a suposta desonestidade de Dunga e Gilmar na CBF. A dupla não vai deixar barato as ofensas do senador, como disseram no programa Bem, amigos!, da SportTV, nesta segunda.

Romário chegou a citar reportagens do Estadão denunciando esquemas envolvendo a seleção brasileira, a CBF e seus parceiros. Ambos romperam com o Baixinho, de quem, a bem da verdade, nunca foram amigos. Mas agora se declararam inimigos. Imagino que há muito tempo as turmas de Dunga e Romário sejam diferentes.

O técnico da seleção adota uma postura mais branda em relação ao que era em sua outra passagem pelo cargo, que acabou com a eliminação do Brasil diante da Holanda na Copa da África do Sul, em 2010. Dunga se vende como alguém que agora entende todas as partes envolvidas com a seleção, inclusive torcedor e jornalista. Revelou que tentou, na outra passagem, mudar tudo em dois dias, e que agora entende melhor o sistema, seja ele qual for. Ocorre que mesmo ao dizer que ‘mudou’, dá suas alfinetadas, como no passado.

Seu trabalho no comando do Brasil ainda tem pouco resultado efetivo. Ganhar amistosos não vale de nada. Durão que é, poderia ter controlado melhor Neymar na Copa América, antes de sua explosão e expulsão diante dos colombianos. Imagino que tenha ‘pilhado’ demais seu elenco. É difícil acreditar que tudo mudou e que esse Dunga é outro. Mas a chance lhe foi dada e ele passou a ser a opção da seleção nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. Há quem diga que não se sustenta até a competição em 2018.

Entendo também haver muita hipocrisia nas acusações dos três ex-amigos. Em 1994, Dunga ‘cuidava’ de Romário para deixá-lo tranquilo e assim fazer o que mais sabia e queria: gols. Dessa forma, com essa dupla, o Brasil conquistou seu quarto caneco. A Dunga e Gilmar, a obrigação de achar uma seleção e fazê-la jogar bem antes que o barco afunde – ficar fora de uma Copa do Mundo seria outra grande e inédita vergonha do nosso futebol. A Romário, cabe o ônus das provas de quem acusa.

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