Dunga inaugura o ano da seleção com lista forte e discurso velho

Dunga inaugura o ano da seleção com lista forte e discurso velho

Do lado de fora, treinador acerta em continuar chamando ex-jogadores para acompanhar o grupo. O escolhido desta vez é Jairzinho, o Furacão da Copa de 70, com gols em todas as partidas

Robson Morelli

05 Março 2015 | 11h02

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O discurso de Dunga sobre talento, união, atitude, meritocracia, sacrifício coletivo, trabalho, jogar em bloco, tudo isso me parece velho demais. Soa como tocar a mesma tecla sempre. Essa ladainha ficou antiguada sobretudo quando se vê o que o time apresenta em campo. Refiro-me a um padrão duro e uma forma de atuar mecânica e robotizada demais. Dunga adora falar em ‘jogador competitivo’. Eu pergunto: que jogador não é competitivo? Que jogador não atua os 90 minutos, a não ser quando se cansa? Que jogador não quer ganhar tudo? Além disso, todo mundo sabe que o calendário não permite treinos para jogos amistosos. Então, treinamentos só acontecerão em competições, como a Copa América, e mesmo assim é tempo curto dado o desgaste e a condição individual de cada um.

Daí a necessidade de se valer do que o jogador tem de melhor, não inventar, não colocar um monte de tarefas na cabeça do atleta, deixando-o, na maioria das vezes, com mais funções do que ele gostaria de ter e pode executar. O futebol brasileiro precisa se valer de jogadores de talento e, nesse quesito, a lista apresentada por Dunga para os jogos contra França e Chile, nos dias 26 e 29 respectivamente, me parece boa. Senti falta de Ganso e Pato. Eu os chamaria menos pela fase e mais porque entendo que podem em jogada única mudar o resultado de uma partida. Os convocados não são novidades, diga-se. Eles vêm aparecendo no time desde que Dunga assumiu o posto de Felipão após o fracasso da Copa do Mundo.

O Brasil, após a Copa, não perdeu mais, alternou apresentações razoáveis com medíocres. Mostrou ainda muita correria, definida pelo treinador ‘de futebol moderno’. Ainda entendo que o melhor caminho é martelar o adversário com a bola nos pés. Dunga precisa convencer seus jogadores de ficar com a bola, tocá-la de pé em pé, esperar o momento certo para penetrar, mais ou menos como joga o Bayern de Munique.

Essa coisa de jogador voluntarioso ou guerreiro, como prefere Dunga, é importante, mas não é fundamental na equipe. O fundamental tem de ser o talento, a inteligência, a malandragem no bom sentido, a paciência e a técnica. O resto é perfumaria que não garante nada. Suar a camisa não pode ser sinônimo de jogador bom de bola, nem quesito para ser convocado na seleção brasileira. Dunga colhe frutos pelos resultados, mas ainda erra na fórmula. O que não quer dizer que essa turma não seja competente. Longe disso. Dunga só precisa valorizar a qualidade. O resto é o resto.

Goleiros
Jefferson (Botafogo)
Marcelo Grohe (Grêmio)
Diego Alves (Valencia-ESP)

Laterais
Danilo (Porto-POR)
Fabinho (Monaco-FRA)
Filipe Luís (Chelsea-ING)
Marcelo (Real Madrid-ESP)

Zagueiros
David Luiz (Paris Saint-Germain-FRA)
Thiago Silva (Paris Saint-Germain-FRA)
Marquinhos (Paris Saint-Germain-FRA)
Miranda (Atlético de Madri-ESP)

Meio-campistas
Luiz Gustavo (Wolfsburg-ALE)
Fernandinho (Manchester City-ING)
Elias (Corinthians)
Souza (São Paulo)
Oscar (Chelsea-ING)
Willian (Chelsea-ING)
Roberto Firmino (Hoffenheim-ALE)
Philippe Coutinho (Liverpool-ING)
Douglas Costa (Shakhtar Donetsk-UCR)

Atacantes
Neymar (Barcelona-ESP)
Diego Tardelli (Shandong Luneng-CHI)
Robinho (Santos)

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