Dunga precisa de Neymar para reaproximar a seleção do torcedor brasileiro

Ganhar a Copa América é o primeiro passo após o fracasso do Mundial de 2014

Robson Morelli

10 de junho de 2015 | 14h29

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A seleção brasileira faz nesta quarta-feira, contra Honduras, em Porto Alegre, sua última partida amistosa antes de disputar uma competição oficial, a Copa América do Chile, que começa domingo diante do Peru. Não fosse o fracasso na Copa do Mundo da forma em que foi, com os 7 a 1 para a Alemanha, e depois os 3 a 0 para a Holanda, o futebol da CBF continuaria na sua toada, ganhando algumas competições, perdendo outras, mas ainda se sustentando como a única nação cinco vezes campeã mundial. Continuaríamos sendo o País do Futebol.

Marin, quando ainda estava solto e não era acusado de corromper o futebol, tratou de demitir Felipão e escalar Dunga, que desde então não perdeu único jogo à frente do time em sua nova passagem. Dunga, diga-se, é o mesmo da Copa da África do Sul, quando o Brasil também apanhou da Holanda para dar adeus ao torneio. Naquela época, ele brigava com todo mundo e via o futebol com uma guerra. E seus jogadores, como guerreiros. Pouca coisa mudou. Nas nove partidas amistosas após o Mundial de 2014, a seleção ganhou todas. Mas isso não quer dizer muita coisa. Sua missão agora e recolocar o Brasil nos trilhos. Missão ingrata por uma série de motivos.

O primeiro deles é porque a seleção brasileira perdeu o carisma que tinha, agora com jogadores menos conhecidos e sem qualquer apelo junto ao torcedor do País. No amistoso em São Paulo, domingo, diante do México, o torcedor vaiou o volante Fred, do Shakhtar, achando que fosse fosse o atacante do Fluminense. Então, Dunga terá de resgatar primeiro alguma empatia com a arquibancada. A seu favor tem duas armas: o fato de o torcedor continuar gostando de futebol e Neymar.

O melhor jogador do Brasil, vencedor da Liga dos Campeões com o Barcelona, terá papel importante nessa retomada da seleção. Primeiro, porque o Brasil é outro com ele campo. Segundo, porque seu carisma é gigantesco. Neymar terá de ‘reapresentar’ alguns jogadores ao torcedor. David Luiz pode ajudá-lo na tarefa. Em campo, Willian tem espaço para ganhar aplausos com seu futebol ofensivo, para cima dos rivais, sem medo. E fica por aí. Mesmo os jogadores que não estavam na Copa, a maioria, todos terão de reconquistar o coração do brasileiro. Não será fácil. O Brasil terá, no mínimo, de ganhar a Copa América.

Da derrota para a Alemanha até agora, o futebol tomou mais um tombo: a corrupção do ex-presidente José Maria Marin, que continua preso na Suíça, e que coloca em xeque seu mandato e de outros, como Ricardo Teixeira, seu antecessor, na CBF, e Marco Polo del Nero, seu sucessor. Tudo está sob o olhar desconfiado do torcedor. Nesta terça, em Brasília, Marco Polo del Nero, o atual presidente da CBF, dava explicações de sua honestidade e da lisura da entidade que comanda. Tudo isso pesa contra a seleção.

Se perder e ficar pelo caminho na Copa América, o que é bem possível, o futebol da seleção volta para a estava zero.

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