É inegável que o Cariocão é bem mais emocionante que o Paulistão

Robson Morelli

11 de março de 2013 | 19h54

Os campeonatos precisam responder a anseios da torcida. Os Estaduais mais ainda, porque falam diretamente com públicos locais. Daí a necessidade de se repensar o sonolento Paulistão. E a maior comparação do fracasso de sua fórmula de disputa é o estardalhaço dado à primeira decisão no futebol carioca. Enquanto um padece, o outro vive de alegria. Os paulistas que me descupem, mas a maneira da turma do Rio de começar a temprada é muito mais divertida e empolgante. Para não ficar somente nas opiniões, um número: na final da Taça Guanabara deste domingo, entre Botafogo e Vasco, o Engenhão recebeu 40 mil torcedores. Deu Botafogo. No clássico entre São Paulo x Palmeiras, como se viu morno e sem gols, apenas 18 mil torcedores foram ao Morumbi.

Só isso já dá um pouco do tom das disputas. Mas tem mais. Enquanto o Paulistão se arrasta pela sua 12ª rodada e serão 19 nesta fase de classificação, o Cariocão já teve uma decisão, já há um campeão no Rio e já tem uma torcida em festa. Se lá nesta segunda-feira foi dia de trabalhar com a camisa do Fogão, com muito orgulho, em São Paulo não há motivos para comemorar. O São Paulo, líder do Paulistão, está no paredão porque não consegue fazer um começo de Libertadores consistente. Isso também dimensiona o peso do Estadual nesse momento. É claro que os grandes de São Paulo (Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras) querem muito ganhar mais um Campeonato Paulista. Não há dúvidas disso, como também não há dúvidas de que qualquer dirigente e técnico desses gigantes vão apostar e priorizar a Libertadores (disputada simultaneamente com o Paulistão) em detrimento das partidas dessa primeira fase do Estadual.

Já tem ocorrido isso, e só a Federação Paulista não vê. A não ser que o jogo em questão tem algum peso. E nem o clássico do Morumbi deste fim de semana valia alguma coisa.

São Paulo e Corinthians já usam times reservas no Campeonato Paulista, fortalecidos por um ou outro jogador para não caracterizar equipes B de fato. E vai ser assim até o fim da fase classificatória. A emoção só vai começar nas etapas de mata-mata, mesmo assim se a condição técnica dos rivais não for gigantesca. Talvez nas quarta de final a coisa esquente. Enquanto isso não chegar, vamos continuar vendo uma ou outra partida mais bem disputada e com públicos maiores. Com emoção. O futebol vive disso.

Fazer um campeonato mais curto, com jogos decisivos e reunir dois campeões para uma grande final talvez seja o caminho do Paulistão. O argumento de que os times do Interior precisam jogar pode até ser válido, mas o torcedor não pode pagar por isso com partidas sonolentos e de pouca valia.

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