É possível retomar o futebol brasileiro e mundial sem mudanças e troca de comando?

Não mais. O caminho é colocar tudo abaixo e começar do zero, com gente melhor e instituições limpas

Robson Morelli

21 de julho de 2015 | 13h19

Joseph Blatter debaixo de uma chuva de dinheiro (falso) é de um significado importante para o futebol nesse momento de tamanhas acusações, investigações e prisões por corrupção. Dinheiro (ou propina) é palavra-chave dessa turma que comanda o futebol da Fifa e também do Brasil e América do Sul, como se comprovam até agora apurações do FBI e Justiça Suíça sobre corrupção, além, claro, das prisões de alguns dos membros da Fifa e da Conmebol. É impensável então mudar esse cenário sem extirpar algumas peças e personalidades das instituições, verdadeiras ervas daninhas por anos na estrutura do esporte mais popular do mundo – mais uma vez como se comprovam acusações e delações.

BlatterEFEPatrickBKraemer_570

Para não falar de um mundo distante, o da Fifa e de Blatter, foco no futebol brasileiro, esse sim presente em nossas vidas praticamente todos os dias. Na reunião da Fifa, a CBF não teve representante. O presidente Marco Polo del Nero permanece no Brasil, amarrado em suas obrigações, como ele mesmo atesta e ninguém acredita. Esse teatro não cola mais, assim como não cola a subserviência de clubes, personalidades do futebol e até de algumas federações aos mandos da CBF. A ruptura começa a aflorar, sobretudo na direção de times importantes no cenário nacional, com força dentro do seu quintal, nas competições e também no canal que transmite os jogos, a Rede Globo.

Tudo ainda é embrionário, mas o descontentamento da ordem, ou desordem, é legítimo e iminente. Criação de Ligas e disputas regionais, rompimento com federações estaduais, negociações diretas com a TV são medidas pensadas e analisadas juridicamente no Brasil. Não seria de se estranhar se amanhã alguns clubes colocassem na mesa uma nova ordem do futebol brasileiro. Um novo comando. O contra-comando. É possível. Até outro dia, o Clube dos 13 cuidava de todos os movimentos financeiros do Brasileirão até que alguns cartolas de São Paulo e Rio costuraram seu fim e trataram eles próprios de negociar com a TV. Da mesma forma, a TV pode querer mostrar os torneios de equipes dissidentes da CBF se ela entender que o conteúdo é do interesse de seu telespectador. Por que não? TV é negócio, é entretenimento, é informação.

Isso pode ser o primeiro passo para uma mudança no futebol brasileiro, para o enfraquecimento de dirigentes que se perpetuam no cargo e entidades, como a CBF, que poderá ficar somente com a seleção. Por enquanto.  Não há outro caminho. Não há como remediar o mal-feito. É preciso virar de pernas para o ar o que está aí, com gente mais bem preparada, ou, no mínimo, honesta, que não precisaria de manobras, propinas ou sinônimos que o valham para ganhar dinheiro. É claro que nada é generalizado, embora a vontade de generalizar seja imensa. Entendo que tudo no futebol nacional passa pelos clubes, a razão de ser do nosso torcedor. Perder esse bonde é perder a história, é continuar reclamando e, pior, empobrecendo dentro de campo.

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