É preciso entender melhor e saber ler com alguma cautela os números do futebol

Robson Morelli

02 de outubro de 2013 | 20h45

Sempre defendi que é preciso ter muito cuidado com os números do futebol, esses que são propagados pela imprensa quando não se tem nada melhor para contar. As estatísticas ajudam, sem dúvida, a enxergar determinadas situações de jogo, mas no caso do esporte mais popular do planeta, não como uma ciência exata. Um drible de Garrincha, sempre igual, era capaz de jogar por terra toda e qualquer estatística sobre o craque das pernas tortas.

Nesta semana, o número da vez, dentre tantos, foi saber que o volante do Palmeiras Márcio Araújo completou contra o Oeste, terça-feira, sua partida 242 pelo clube. Até aí, tudo bem! Duro foi ler a comparação feita com alguns dos mais respeitados jogadores que já vestiram a camisa do time. Com essa marca, Márcio Araújo se junta ao lateral Arce, um dos melhores que já passaram pelo Palestra, dono de um cruzamento mortal e de faltas capazes de mudar a história de um jogo. Márcio Araújo e Arce, segundo os números, estão no mesmo degrau da história do clube.

A comparação vai ficar mais bizarra daqui a algumas rodadas da Série B do Brasileiro. Sim, porque na próxima vez que entrar em campo, Márcio Araújo terá o mesmo número de jogos que o meia Alex, o Pelezinho do Parque.  Alex ainda é reverenciado pelos palmeirenses por tudo o que fez pelo time. O clube brigou para tê-lo em seu retorno ao Brasil, embora ele tenha preferido o Coritiba, onde começou a carreira. Alex fez 243 partidas pelo Palmeiras de 1997 a 2000, depois em 2001 e 2002. Em breve, será superado por Márcio Araújo, homem de confiança do técnico Gilson Kleina. Os números estão aí. São fatos, salvo qualquer erro na soma.

Mais adiante, quando chegar na partida de número 246, o volante deixará Evair para trás. O atacante fez 245 jogos pelo Palmeiras – e digo que há torcedor que se lembgra de quase todas. Mesmo assim, Evair estará, de acordo com os números, em posição inferior à de Márcio Araújo. Por isso volto ao começou e reafirmo que é preciso olhar para os números do futebol com certa desconfiança e boa dose de cautela.

O que os números não dizem é que o palmeirense continuará a se lembrar de Arce, Alex e Evair por mais 100 anos e se esquecerá de Márcio Araújo tão logo ele deixe o clube.

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