É preciso reconhecer o amadurecimento e condição técnica do goleiro Tiago Volpi, do São Paulo

É preciso reconhecer o amadurecimento e condição técnica do goleiro Tiago Volpi, do São Paulo

Jogador chegou ao Morumbi sob muita desconfiança, 'ajudou' o torcedor a torcer o nariz devido a alguns erros, mas melhorou muito na posição desde então

Robson Morelli

26 de outubro de 2020 | 10h42

O São Paulo teve vários heróis na vitória diante do Fortaleza pela Copa do Brasil. Um deles é Tiago Luís Volpi. O goleiro fez defesas importantes na partida deste domingo e defendeu um pênalti na disputa após empate por 2 a 2 no tempo normal. Volpi pegou o 19º pênalti cobrado, último do time cearense, abrindo caminho para Léo Pelé fazer o seu na sequência e dar a classificação ao time do Morumbi. Volpi é o goleiro que o São Paulo precisava ter quando aposentou Rogério Ceni. Ocorre que ele falhou muito no começo, erros bobos, de excesso de confiança e falta de técnica, e isso deixou o torcedor e os treinadores com a pulga atrás da orelha. Digo treinadores porque o São Paulo teve muitos.

Foto: Taba Benedicto/Estadão

Volpi não é Ceni nem nunca será, mas ele assumiu a posição de seu antecessor, amadureceu no posto e parece dono da vaga sem qualquer contestação. Seu contrato vai até o fim de 2023, depois da Copa do Mundo do Catar, e deve ser esticado por mais temporadas.

Aos 29 anos, vai fazer 30 em dezembro, ele não tem mais aquelas falhas bisonhas do começo de sua passagem pelo Morumbi. Ainda dá sustos na torcida com sua frieza, ou indiferença à chegada dos atacantes rivais, quando tem de usar os pés, não se sabe se porque gosta ou se é a mando do técnico Fernando Diniz. É fato, no entanto, que ele prefere sair jogando com a bola rente ao gramado do que abusar dos chutões para o lado em que o nariz estiver virado. Suas defesas são importantes, tem sido assim em quase todas as partidas.

Mas Volpi ainda busca a regularidade. Ainda comete falhas em clássicos, por exemplo. Faz boas defesas, mas é capaz de sofrer frangos inexplicáveis na mesma partida. Essa concentração durante os 90 minutos às vezes falta a ele. Alguns dizem que é excesso de confiança, quase um desprezo ao que vem do outro lado. Outros apontam falhas técnicas, como mau posicionamento, o que de fato ocorre. A regularidade que ele busca pode mudar sua condição no futebol brasileiro.

Por enquanto, Volpi é um bom goleiro e não passa disso. Para ser mais, tem de fazer mais. Tem de pegar bolas que outros não pegariam. Tem de ganhar partidas sozinho. Tem de fazer milagres. É assim que um goleiro deixa a condição de comum para ser excepcional. A maioria não consegue, o que não é demérito.

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