E quem vai bancar os R$ 42 milhões/ano aos dissidentes: Globo e CBF

Robson Morelli

25 de fevereiro de 2011 | 09h03

Ocorre agora que os clubes dissidentes, e até mesmo o Corinthians de Andres Sanches, ficaram numa saia justa diante de seus associados e torcida. Quando o Clube dos 13 abriu o montante que cada um iria receber, algo como R$ 42 milhões por ano, sabia exatamente o que isso poderia causar: constrangimento. Vai que os dissidentes não conseguem cobrir esse valor e perdem dinheiro… E não estamos falando de dinheiro de pinga. É muita grana.

Nas temporadas passadas, eles embolsaram R$ 16 milhões. Agora, garante o C13, iriam receber no mínimo R$ 42 milhões. É claro que para terem tomado a decisão de romper com o C13 e enfraquecer a licitação entre Globo, Record e Rede TV! pelos direitos de transmissão dos jogos, os clubes dissidentes trataram de se proteger de alguma forma. Estou há muito tempo nisso para saber que não se dá um passo sequer sem o respaldo de gente grande. E quem poderia ser essa gente grande? Globo e CBF. Não há outros.

O C13 também declarou alto e em bom som que os dissidentes terão de passar no caixa da entidade para quitar suas dívidas de direitos de TV adiantados. Há clubes que já receberam a verba de 2015. O Corinthians e mais os quatro do Rio devem cerca de R$ 80 milhões. É  dinheiro, hein!. Mas aqui também tem um senão. Esse dinheiro é pago pela Globo, que até essa temporada é quem banca as transmissões. Portanto, os clubes devem para a Globo. A não ser que o C13 tenha um caixa fortíssimo para também emprestar dinheiro. Não se tem notícias disso.

E já que os dissidentes estão fechados com a Globo, eles se acertariam diretamento com o credor, anulando a existência e a necessidade de existir do C13. Boom. O Clube dos 13 desaparece.

O fato, amigos, é que a Globo não quer perder essa. E a CBF não vai permitir que isso aconteça. Ambos são parceiros de longa data e não se destroi uma dobradinha assim tão facilmente. Também não podemos negar que os serviços prestados pela Globo ao futebol é de riquíssima qualidade. É muito bom ter futebol na televisão. A Record, por mais alto que salte em sua qualidade, como tem feito nos últimos anos, ainda oferece um risco para os anunciantes do futebol, para a CBF e seus patrocinadores.

O que seria injusto é deixar o torcedor sem seu joguinho na sala de casa.

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