Edgardo Bauza não gosta de intromissão de dirigentes no seu trabalho

Novo treinador do São Paulo é o 14º estrangeiro na história do clube

Robson Morelli

19 de dezembro de 2015 | 13h07

O São Paulo cumpriu sua promessa de anunciar antes do Natal o nome do seu novo treinador, o argentino Edgardo Bauza, de 57 anos, escolhido a dedo pelo presidente Leco com recado direto para a importância que o clube e ele própria darão para a Libertadores de 2016, vaga conseguida graças à quarta colocação no Campeonato Brasileiro deste ano. Bauza ganhou o torneio duas vezes, a última delas no ano passado, quando comandava o San Lorenzo, de seu país e do Papa Francisco. A outra vez foi em 2008, com a LDU, do Equador. De modo a trazer para o Morumbi essa pegada forte na competição sul-americana por países diferentes. Isso fez diferença na escolha do São Paulo. Edgardo Bauza ganhou a Libertadores com um time equatoriano e outro argentino e tentará o tri da competição com uma equipe brasileira.

Bauza ganhou a vaga de colegas de profissão como Cuca, Levir Culpi e Paulo Autuori, e por motivos outros ganhou a ‘briga’ para comandar um time que teve uma série de problemas de gestão na temporada, inclusive, com troca seguidas de treinadores. O São Paulo começou o ano com Muricy Ramalho, depois teve Osorio e Doriva, com duas intervenções do interino Milton Cruz. Foi um ano de muita turbulência no Morumbi, com o presidente Carlos Miguel Aidar pedindo renúncia ao se ver enrolado numa série de denúncias e com uma gravação feita premeditadamente pelo diretor de futebol Ataíde Gil Guerreiro sobre suposta propina na negociação das coisas do clube.

Osorio, outro treinador estrangeiro escolhido por Aidar, deixou o clube porque o cenário pintado pelo cartola não condizia com a realidade, ou mudou para pior depois de sua chegada. O São Paulo negociou a saída de alguns jogadores e enfraqueceu o elenco, deixando o treinador sem suas principais peças, ou algumas delas. O bom para Bauza é que ele chega numa realidade em três cores, nem mais nem menos. E muito provavelmente não encontrará um cenário diferente depois que desembarcar no País do Futebol. É a primeira vez que Bauza trabalha no Brasil. Ele é o 14º treinador estrangeiro do São Paulo em sua história.

Edgardo Bauza tem fama de ser boa praça, mas também de comandar as coisas do time com mãos de ferro. Não gosta de intervenção de membros fora da comissão técnica, fora dos profissionais que acompanham o elenco diariamente. Isso significa que não ‘suporta’ whatsApp de diretores dando pitacos no seu trabalho. Com Osorio, esse comportamento de Aidar minou a relação entre o técnico e o presidente do clube. Todas as negociações agora passam pelo aval do novo comandante, inclusive a possível contratação de Diego Lugano, um clamor do torcedor são-paulino. Ganhar o elenco é seu primeiro desafio. Ir bem no Paulistão, Libertadores e Campeonato Brasileiro são os outros.

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