Eduardo Baptista teve coragem de pedir para parar o futebol nesse momento de caos no Brasil

Eduardo Baptista teve coragem de pedir para parar o futebol nesse momento de caos no Brasil

Treinador condena nossos políticos e pede a acerto na hora de votar neste ano

Robson Morelli

27 de maio de 2018 | 13h04

O futebol sempre passou à margem dos acontecimentos políticos e sociais do Brasil. Não deve mais ser assim. Jogadores, treinadores e profissionais da bola são capazes de mobilizar a massa para uma partida, de modo a falar diretamente com seus torcedores. Quando o assunto é o País, os problemas do Brasil, essa turma também poderia ajudar. Na Argentina, bem pertinho daqui, os jogadores são bem mais politizados, falam abertamente das coisas do país e são capazes de parar torneios se necessário por suas reivindicações. Não se colocam fora do contexto.

No Brasil, isso não acontece. Ainda. Eduardo Baptista, técnico do Coritiba, ex- Ponte Preta e Palmeiras, da Série B, ganhou o meu respeito por falar francamente do caos que vive o Brasil, de norte a sul, com a paralisação dos caminhoneiros, e com eles todo o abastecimento geral, principalmente do combustível. Eduardo meteu o dedo na ferida, incomodado que estava pela situação. Vale lembrar que a CBF teve a prerrogativa de cancelar a rodada do fim de semana e não o fez por entender que nada do que ocorre no Brasil atinge o futebol. Trata-se de um pensamento pequeno, uma visão turva e egocêntrica.

Eduardo Baptista quebrou esse silêncio burro. Pediu inteligência na hora de votar, condenou os políticos…

VEJA O QUE O EDUARDO BAPTISTA COMENTOU

“Primeiro é muito triste… ter a oportunidade de falar. O País vive uma incompetência ou uma falta de honestidade dos nossos políticos… eu fiquei emocionado ontem… eu vi o pessoa do leite jogando o leite na rua e tanta gente passando fome. Onde eu moro tem tanta gente na rua, pedindo dinheiro e um prato de comida, e gente jogando leite fora. Primeiro é um indignação imensa. Eu acho que o futebol fica… se não tiver jogo não tem problema. Acho que a gente não pode nem pensar em jogo numa situação dessa, situação triste, caótica e que tende a pior. A gente vai trabalhar, descansar… mas acho que o jogo, o Campeonato Brasileiro, fica em segundo plano. O País vive um caos… Falar de política um pouquinho… Hoje eu assisti o Marun (Carlos Marun, ministro-chefe da secretaria do governo) falando e ele dando risada, dando risada como se não acontecesse nada… então essa falta de honestidade, essa cara de pau, faz o futebol perder. Se não tiver jogo, vamos treinar e tentar resolver. O futebol é segundo plano. Essa desonestidade deixa a gente muito triste. Vamos acertar essa votação… se tenho tempo, um minutinho para falar, vou falar disso… vamos votar certo, tirar essa cambada de corruptos, de pessoas desonestas que matam tanta gente, essas pessoas não são ladrões, essas pessoas são assassinas… são assassinas… e é PT, PSDB, PMDB, UDT, PDC, todas as siglas… são todos ladrões e são todos sem vergonha, que matam crianças, mulheres, homens, brasileiros do nosso País.”

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