‘Enferrujado’, VAR tira um do Mirassol e ‘ajuda’ Corinthians a chegar à sua 4ª final seguida de Paulistão

‘Enferrujado’, VAR tira um do Mirassol e ‘ajuda’ Corinthians a chegar à sua 4ª final seguida de Paulistão

O time de Fagner tinha condições de ganhar o jogo em Itaquera, mas nunca saberemos se isso aconteceria no tempo normal nem nos pênaltis

Robson Morelli

02 de agosto de 2020 | 18h40

Dou ao VAR e aos homens do apito o mesmo desconto que tenho dado aos jogadores, enferrujados com tanto tempo parado e, talvez, psicologicamente abalados em ter de trabalhar e fazer testes regulares para a covid-19 em meio à pandemia. Não sei se todos os jogadores sentem isso. Penso que os árbitros, mais instruídos, possam sentir mais. O fato é que o VAR entrou em campo na decisão da semifinal entre Corinthians x Mirassol ao cutucar o juiz de campo a ver um lance que ele não deu a menor bola no olho nu e deixou a jogada seguir.

Na volta da cabine, depois do puxão de orelha eletrônico, deu vermelho para o jogador do Mirassol, que pisou do adversário. A discussão para a expulsão diz respeito à gravidade e intensidade da infração. Metade pode achar que o vermelho foi correto e a outra metade que não, sem que nenhuma das partes esteja, necessariamente, errada. É apenas uma opinião, porque entendo que o lance é subjetivo. Tão subjetivo que o árbitro de campo nada viu ou deu antes de ser chamado pelo VAR.

Tenho comigo que quando o VAR chama, não há árbitro de campo que não se dobre. São poucos, bem pouco os que mantêm sua decisão. O recado é mais ou menos esse: “vem cá , meu filho! Olha o que você não viu. Todos aqui na cabine entendemos que foi infração. Mas, claro, a decisão é tudo.”

Tivéssemos árbitros (de campo) com mais personalidade, poderia ter outra ideia sobre o tema. Há alguns que tomam decisão própria. São poucos e não era o caso de sua senhoria em Itaquera, cujo nome não faz diferença porque a maioria agiria como ele. Refiro-me à arbitragem de modo geral e não a esse ou aquele juiz especificamente. Que fique claro!

Então, depois de ver o que não viu em tempo real, ao vivo e em cores, mão no bolso de trás, vermelho mostrado. Não para ele próprio, mas para o jogador. Com um atleta a menos, qualquer time se abate, principalmente os menores, como o Mirassol. Logo em seguida o Corinthians fez um gol com Éderson. Gol bom. Esse rapaz se destaca na volta ao futebol. Tem uma característica que vale ouro no futebol moderno: chuta de longe, sem medo de errar. O Corinthians ficou com a bola o tempo todo. Ganhou suas quatro partidas até chegar à final. É preciso respeitar.

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