Enquanto a Fifa bate recorde de arrecadação, os clubes passam o chapéu

Robson Morelli

21 de março de 2014 | 14h08

A Fifa anuncia que 2013 foi um ano de recorde financeiro em suas contas. Com o mundo, sobretudo boa parte da Europa, quebrado, a entidade presidida por Joseph Blatter consegue ter um ganho real de US$ 72 milhões, o equivalente a R$ 1,6 bilhão. É uma façanha e tanto para a indústria do futebol, até porque a notícia mais comum dos clubes espalhados pelo planeta é que a conta não fecha e que muitos investimentos terão de ser suspensos por falta de dinheiro. Foi João Havelange, durante seus 24 anos na Fifa, que começou a pensar o futebol como negócio. O brasileiro mudou tudo.

No Brasil, esse quadro de dependência financeira é ainda mais dramático. Aqui, time campeão do mundo, como o Corinthians, admite não ter grana para a contratação de reforços. E olha que esse caneco da Fifa foi conquistado em 2012. O Santos, outro grande do futebol brasileiro, vendeu uma dúzia de jogadores bons de bola, entre eles o melhor de todos, Neymar, e mesmo assim sofre com a falta de dinheiro no cofre. Esses são apenas dois exemplos dessa pindaíba que assola o futebol de verdade, não aquele que se pratica dentro da sede da Fifa em Zurique. Até porque, esse, como disse Blatter, anda muito bem das pernas.

O futebol da Fifa merece estudos. Somente na indústria da bola nos pés o alicerce danificado pode sustentar grandes construções. Sim, porque a lógica de faturamento do futebol não obedece a nenhum raciocínio ou sistema. Como pode a Fifa lucrar se os clubes estão em frangalhos financeiramente? O que se sabe é que a Fifa e a maioria das Federações Nacionais de Futebol, como a CBF e a AFA (da Argentina), estão bem das pernas, com seus patrocinadores e dinheiro em caixa. Felizmente, digo. Porque com uma associação forte e independente, esperava-se que os clubes bebessem dessa água. E, na mesma correnteza, também se fortificassem financeiramente.

Ocorre que, em relação ao clubes, essa correnteza não serve para abastecer os times de futebol, sobretudo os brasileiros. Serve para afundá-los.

Há de se destacar também a administração da Fifa em comparação à gestão dos clubes. O Santos nos serve de bom exemplo. Até onde se sabe não existe dinheiro sobrando na Vila Belmiro e o clube, do presidente Luiz Alvaro, afastado do cargo por problemas de saúde, paga suas contas com alguma dificuldade. O Santos fez rendas altas no passado e vendeu bons jogadores, mas infelizmente tudo que entrou parece ter saído. Nesse ponto, a Fifa deve ter mãos de ferro ou um escorpião no bolso para não deixar o dinheiro escorrer pelo ralo.

Embora prefira ver clubes mais fortes financeiramente do que entidades, também precisamos avançar nas nossas gestões esportivas. A impressão que tenho é que todos querem ganhar e gastar, e poucos pensam nos patrimônios que deixarão ou em contas bancárias mais saudáveis. O rombo sempre fica para a próxima administração.

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