Entre o aplauso e a desconfiança de um passado recente da seleção brasileira

Entre o aplauso e a desconfiança de um passado recente da seleção brasileira

Robson Morelli

24 de março de 2017 | 15h41

A sétima vitória da seleção em sete jogos sob o comando de Tite, contra o Uruguai e da forma em que aconteceu, dá a certeza ao torcedor de que o time nacional está no caminho de mais um título mundial. O Brasil lidera as Eliminatórias Sul-Americanas, com 30 pontos, e pode se garantir com rodadas de antecedência para a disputa da Rússia. Os comandados de Tite, mesmo aqueles que nos fazem torcer o nariz, como Paulinho, jogador da Liga Chinesa, estão arrebentando. Paulinho, por exemplo, marcou três gols no Centenário. Como podemos cobrá-lo ou questionar a aposta do treinador? Impossível. Esse Brasil não treina por falta de tempo, como também não treinava as outras formações de Felipão, Dunga e de outros antes deles. Não há tempo para isso nas Eliminatórias. Neymar chegou com cara amassada na terça-feira, depois de defender no domingo o Barcelona, correu no campo e jogou muito em Montevidéu. Passava pelos marcadores como se fosse profissional e eles, juvenis.

Brazil coach Tite gestures ahead of their 2018 FIFA World Cup qualifier football match against Uruguay at the Centenario stadium in Montevideo, on March 23, 2017. / AFP PHOTO / DANTE FERNANDEZ

AFP PHOTO / DANTE FERNANDEZ

Então, depois de tudo isso e de colocar o pé na Rússia, qual deve ser o sentimento do torcedor brasileiro? Ele aplaude o time e confia piamente na seleção faltando pouco mais de um ano para o próximo Mundial? Ou ele deve se comportar como gato escaldado, aquele que sempre está com o pé atrás pelo que já sofreu? Talvez esse ainda seja o sentimento com a seleção brasileira depois dos 7 a 1, dos fracassos da equipe sob o comando de Dunga, do pouco futebol mostrado até a chegada de Tite.

Talvez o torcedor deve sentir um misto dessas duas situações: aplaudir porque essa seleção merece aplausos, mas sem perder o poder crítico quando for preciso. Alguns jogadores serão cobrados sempre e terão de jogar muito para minimizar essas cobranças. Outros poderão ficar pelo caminho, como já aconteceu com Lucas Lima, do Santos. Tite sabe que não pode formar um time com um ano de antecedência da Copa para não repetir o que colegas de profissão fizeram em tempos passados. Sabe ainda que precisa ter no elenco jogadores que possam mudar o cenário de uma partida, de modo a ter opções quando precisar. O técnico tem de pensar em tudo, no macro e nos detalhes. Uma hora esse time vai perder e aí é preciso verificar se ele tem crédito, se vai se recuperar facilmente, se o ambiente vai continuar bom.

Em campo, claro, falta enfrentar os europeus: a retranca da Itália, o rolo compressor do meio de campo da Alemanha, o toque de bola da Espanha, a pedra no sapato chamada Holanda, a correria dos africanos…

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