Espero que todos sobrevivam após a queda do Palmeiras

Robson Morelli

12 de novembro de 2012 | 19h56

A violência mostrada nesta madrugada por pessoas que se dizem apaixonadas pelo Palmeiras sugere medidas drásticas contra os chamados torcedores organizados. Um grupo não identificado ainda pela Polícia colocou fogo na loja do clube, no Palestra Itália, assustando moradores da região, dirigentes, jogadores e funcionários. Tudo isso para protestar com a situação do time, à beira de ser rebaixado matematicamente para a Segunda Divisão.

Esses propensos torcedores prometem aterrorizar ainda mais o ambiente do Palmeiras, não mais com derrotas, mas agora com possíveis agressões, pânico e emboscadas. Sai, portanto, do cenário esportivo para entrar no contexto policial. Acham legítimo reclamar do time dessa forma. A frase pichada no porta da loja incendiada do clube dava o tom do que planejam. “A Paz acabou”. Estão todos preocupados no Palmeiras, do presidente Arnaldo Tirone ao roupeira, aquela figura encarregada de ajeitar as roupas e as chuteiras dos atletas. Não é justo.

A história da torcida do Palmeiras não é boa. Ela já colocou para correr do clube jogadores como Vagner Love e Diego Souza. E depois, claro, se constatou que eles seriam útil para o time. O mesmo pânico volta à tona. O atacante Barcos, o melhor da equipe, já avisou que prefere deixar o Brasil a se ver acompanhado de seguranças pelas ruas. O recado foi direto para esses arruaceiros. Não adianta dizer que Barcos, pela bela campanha apesar da situação do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, está fora dessas ‘cobranças’. Argentino que é, vai tomar a dor dos colegas que ajudaram menos a equipe e agora estão sendo ameaçados.

Temo por algo mais triste que possa acontecer. E  confesso que penso no zagueiro colombiano Escobar, morto em situação dessa natureza após fazer gol contra diante dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994. É claro que o palmeirense anda triste, cabisbaixo, lamentando a situação do time e a ruindade de alguns jogadores. Mas daí a colocar fogo num patrimônio do clube, enfrentar a polícia como ocorreu no empate com o Botafogo e espalhar o pânico entre os jogadores e comissão técnica é algo além da compreensão de qualquer apaixonado por futebol.

Espero que o caminho da paz  seja tomado mesmo com o time na Segunda Divisão. Espero que os líderes de todos os lados possam se sentar juntos para saber como cada um deve ajudar o time se o pior acontecer, o rebaixamento. Espero que todos sobrevivam.

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