Estaduais de São Paulo e Rio lembram o velho e bom Desafio ao Galo

Torneio registram cenas dos tempos em que o futebol era amador, como o Marília, que teve apenas um jogador no banco, ou o Botafogo, que festejou com taça de 2010

Robson Morelli

10 de abril de 2015 | 10h17

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As rodadas derradeiras de dois campeonatos regionais quarta-feira jogaram luz à fragilidade e ao atual estágio desses torneios de começo de ano, em que as equipes ainda estão se arrumando e com a cabeça em jogos mais importantes, como os da Copa do Brasil e Libertadores. Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, os dois principais eixos do futebol nacional, as condições de disputa mostraram-se precárias.

No pomposo Paulistão, de edições com aquelas meninas tentando animar a torcida do lado de fora do campo, a situação de algumas equipes é de dar pena. O Marília, por exemplo, terminou sua participação na Série A1 com 11 jogadores em campo e apenas um no banco de reservas, um goleiro que na preleção para o confronto com o São Bernardo  foi avisado de que poderia ser utilizado na linha, sabe-se lá com que categoria. Dos 28 jogadores inscritos e permitidos no competição, de acordo com a nova regra, dez deixaram o clube por falta de pagamento ou imbróglio em seus contratos, largando o técnico Bruno Quadros com 18 atletas. Desses, na partida de quarta, seis estavam fora de combate, três por suspensão e três machucados. De modo a não ter quem escalar.

Da mesma forma, na manhã seguinte, na sede da FPF, tudo foi arranjado para que os quatro grandes de São Paulo, classificados antecipadamente, mantivessem o direito de jogar em seus estádios, como queriam. O regulamento previa que apenas os três mais bem colocados na classificação geral tinham esse direito. O Palmeiras, portanto, deveria enfrentar o Botafogo longe da Capital. Para solucionar o impasse, que não era impasse, mas apenas criou-se um clima de impasse, a FPF marcou o jogo do Palmeiras para a manhã do domingo, lembrando o velho em bom Desafio ao Galo da várzea paulistana. Todos os envolvidos concordaram com a decisão, com o aval da PM e da televisão, que transmite os jogos.

Outra decisão tomada sem qualquer resistência foi marcar as partidas de Corinthians e São Paulo para o mesmo dia, sábado: um joga às 16h20 (Corinthians e Ponte Preta) e o outro às 18h30 (São Paulo e Red Bull). Uma partida é na zona leste e outra na zona sul. Nos estádios ou em suas imediações, certamente torcedores dessas duas equipes não vão se encontrar. Pela cidade, não se sabe. Se eles se cruzarem, como imagino, vai dar confusão, briga, talvez até morte. Tomara esteja errado. E assim o futebol regional de São Paulo, com partidas enfadonhas, cansativas e de pouca qualidade técnica, com times desinteressados e mal preparados, vai se defendendo nos primeiros meses de cada ano há anos.

No Rio, é igual. Ou pior. O Botafogo, por exemplo, festejou a conquista da anteriormente pomposa Taça Guanabara com um troféu de 2010, que algum gaiato do clube teve a brilhante ideia de levar para o Engenhão caso o time fosse campeão. O atacante Fred, suspenso na rodada de quarta porque falou mal do árbitro e do campeonato, foi sincero ao dizer que o Cariocão deveria acabar, tamanho são seus desmandos na disputa. Flamengo e Fluminense estão oficialmente rompidos com a Federação e tramam às claras a criação de uma Liga Independente.

Tanto lá quanto cá, quem sofre em meio a esse fogo cruzado, mandos e desmandos, é o pobre torcedor, que ainda, diga-se, tem de desembolsar cada vez mais para ver seu time do coração em campo.

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