Estamos cansados das impunidades das torcidas em nome do futebol

É inadmissível que não haja nesse Brasil um homem ou uma mulher ou uma instituição capaz de acabar com as brigas no futebol. Ainda penso que os clubes devem ser responsabilizados

Robson Morelli

02 de novembro de 2019 | 19h54

Como um animal… O mais recente episódio envolvendo duas torcidas de futebol em São Paulo não pode ficar impune. As imagens gravadas de dentro de um posto de gasolina dedura uma delas, a do Palmeiras. Um grupo de uns 20 caras aparece batendo em um são-paulino. Ele apanha de todas as formas, com todas as forças. Há um torcedor palmeirense especificamente, de vermelho e branco, cores do São Paulo, que mais lembra um animal na selva, tamanha sua ira para desferir pauladas no rival entregue no chão, imóvel, sem reação.

Ninguém merece morrer… Minha indignação é gigantesca. Tento entrar na cabeça desses caras que não param de bater no “inimigo” caído para saber o que pensam. “Ele é torcedor do São Paulo, então merece morrer”, “Eles provocaram, então merecem morrer”, “Já que todos estão batendo, também vou bater”, “Quem não é do nosso time, merece morrer”.

Barbárie… Esses pensamentos, por mais imperfeitos que sejam, não pertencem somente a uma facção organizada no futebol. São pensamentos comuns a todas elas, independentemente da bandeira que tremulam. Há rixas antigas, há rixas novas, mas o fato é que nem precisa haver rixas. Tudo é uma questão de “oportunidade”. Sobrevive ou apanha menos quem estiver com mais membros. Voltamos aos tempos da barbárie. Isso não faz parte do futebol, um esporte de mais de cem anos que nasceu fazendo amigos, replicando times e torcidas, feitos os chamados descendentes de Adão e Eva. No fundo, todos saíram do mesmo lugar.

Isso não pode ficar impune… Até onde se tem notícia, o rapaz que apanhou no posto de gasolina não morreu. Por Deus. Apanhou para morrer. Não me interessa os motivos da briga, da emboscada, das rixas. Tivesse um filho com a camisa do São Paulo naquele posto, indiferente a qualquer briga do passado ou provocação do presente, ele teria apanhado igual. Tivesse minha mãe lá nas cores opostas às do Palmeiras, se fosse o caso, também seria agredida. Isso tem de acabar. Isso não pode ficar impune.

Falência institucional… As brigas no futebol condenam uma inoperância da nossa polícia e segurança pública, aliado aos desmandos e falta de interesse dos governantes, que dão de ombros para a “escória” futebolística. Essa briga não nos pertence. Mas deveria pertencer. Todos nós pagamos impostos para ter o mínimo possível de segurança, com a certeza de que não vamos apanhar ao dobrar a esquina.

Socorro… É inadmissível que não haja nesse Brasil um homem ou mulher ou uma instituição legal capaz de acabar com as brigas e mortes no futebol. Chega das desculpas de que as brigas não ocorrem mais nos estádios, portanto, não há como associá-las aos jogos. Custo a acreditar que a natureza desses caras seja apenas brigar uns contra os outros.

Clubes e CBF… Ainda penso que os clubes devem ser responsabilizados por tudo. Só assim, sentindo na pele, isso vai mudar. A CBF tem de assumir isso e se fazer ouvida. Não pode mais se fingir de cega, surda e muda.

 

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