Fãs esperam pela confirmação de que as drogas mataram Maradona, como se isso pudesse lhes oferecer algum conforto

Fãs esperam pela confirmação de que as drogas mataram Maradona, como se isso pudesse lhes oferecer algum conforto

Procura-se agora uma explicação para a morte precoce do ídolo argentino que pudesse explicar a parada cardiorrespiratória que tirou sua vida aos 60 anos; o jornal argentino La Nación informou que ele morreu dormindo

Robson Morelli

26 de novembro de 2020 | 13h00

A informação da morte de Maradona chocou os fãs do futebol, mas não pegou nenhum deles de surpresa. Muito antes de parar com o futebol, aquele todos amamos e passamos a contar em rodas de amigos, e que ainda faremos, a morte sempre esteve perto do astro argentino, motivada por uso de drogas. Mais recentemente, descobrimos sua dependência por álcool e medicamentos. Maradona morreu com 60 anos e todos agora esperam pela confirmação de as drogas tiraram a vida de um dos maiores jogadores do mundo, o segundo, atrás de Pelé. O jornal argentino La Nación informou que ele morreu dormindo.

Parece existir a necessidade de apontar as drogas para explicar sua morte precoce, como se isso pudesse dar aos fãs algum tipo de conforto. Somente as drogas foram capazes de parar Diego Maradona. A parada cardiorrepiratória foi apontada como vilã da morte. Mas ainda não foi explicado o que causou tal parada. O fato é que todos sempre souberam da vida nada regrada de Maradona, da sua condição humana, de homem fraco diante dos prazeres do mundo, e de sua submissão aos vícios. A Argentina não foi pega de surpresa com sua morte, infelizmente. Os fãs no mundo inteiro sempre souberam que ela chegaria num corpo cada vez mais debilitado.

Maradona, com toda a sua genialidade, não soube se cuidar. Sempre passou sinais amarelos e vermelhos como se isso lhe desse mais adrenalina para continuar acelerando. Não precisava. Maradona foi reconhecido nos primeiros anos de sua carreira e jamais seria esquecido depois das Copas que disputou. Não precisaria fazer mais nada para que os holofotes da fama iluminassem suas pegadas. Poderia viver disso para sempre e não seria demais. Seus gols, lances, dribles e até aquecimentos antes das partidas enchiam o mundo de alegria. Os desafios foram todos vencidos desde criança.

Menos um, o de se cuidar, de proteger sua própria vida, de viver mais. Não duvido que Maradona quisesse continuar vivendo. Mas sua saúde, enfraquecida com seu passado e também presente, não suportava mais todos os seus prazeres, lícitos e ilícitos. Maradona não se cuidou e ninguém também cuidou dele a ponto de recuperá-lo, de mostrar-lhe outros caminhos. Também não sei se isso seria possível a um homem/deus ou deus/homem de 60 anos, com ideias já formadas e estabelecidas.

O motivo que causou sua morte, quando ele for divulgado, se é que será divulgado um dia, não vai mudar os caminhos escolhidos por Maradona ao longo da vida, na qual foi feliz, muito feliz. Nem o trará de volta, para tristeza de todos nós. Mas certamente nos dará conforto porque não havia nesse mundo um único fã que não se preocupasse com ele em relação à sua conduta e condição debilitada. O que ele fez em vida, para ele, valeu cada segundo dela. Para todos nós, a sensação é que Maradona poderia ter vivido melhor, com mais segurança, e por mais tempo.

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