Felipão deu o seu recado: ‘ainda falta muito’. Com isso ele mexe com o brio dos jogadores. É tudo ou nada

Robson Morelli

25 de abril de 2013 | 13h44

Felipão não vai deixar acontecer na seleção o que aconteceu com ele no Palmeiras: não conseguir tirar de um elenco o que esse elenco pode dar e até oferecer. Foi esse o sentimento que o treinador teve após o empate com o Chile por 2 a 2 no Mineirão. Muito menos pelo resultado e bem mais pela forma com que o Brasil se comportou. Ronaldinho disse após a partida em que o time foi vaiado, diga-se, que todo mundo sabe que o grupo se reúne num dia, corre no gramado no outro e espera num terceiro pela hora do jogo. Ou seja: não treina. E isso tem peso no desempenho e rendimento da seleção.

Mas não pode ser a única explicação para a fraca atuação do Brasil em Minas. Felipão não entende o que leva seu time a entrar na correria dos adversários. O Brasil nas suas mãos tem sido um reflexo do que o oponente mostra em campo. Se o adversário coloca a bola no chão, a seleção também faz isso. Se, como diante do Chile, o rival impõe correria, por algum motivo o Brasil faz o mesmo. Está errado. Não é esse o padrão brasileiro de atuar. Nunca foi.

Entendo que isso tenha deixado Felipão insatisfeito a ponto de ele dizer que “ainda falta muito para organizar o time”. Porque na véspera ele afirmava que a equipe estava muito mais adiantada do que ele imaginava com tão pouco tempo de trabalho. O discurso mudou. E se Felipão falou isso em público é porque a cobrança no vestiário deve ter sido muito grande.

Cobrar e tentar mexer com o brio dos atletas também é uma estratégia do treinador. Sempre foi. Ele é bom nisso. Talvez ele queira usar essa apresentação ruim contra o Chile como um divisor de águas para o elenco. O fato é que dia 14 ele apresenta a lista da Copa das Confederações e a partir daí terá de focar nos seus 11 titulares. Essa coisa de colocar todo mundo em campo no segundo tempo também não deve continuar acontecendo. O tempo de teste para as Confederações acabou. Felipão busca agora entrosamento. Não vai inventar. Deverá montar o Brasil no 4-4-2, com dois zagueiros, dois volantes, dois meias e dois atacantes.

Terá de apresentar um time, e trabalhar com ele. Serão mais dois amistosos antes da estreia na competição. 180 minutos para ganhar entrosamento. Copa das Confederações não é Copa do Mundo, mas o torcedor quer ganhar tudo. Quer ver a seleção jogando bem em todas as partidas.  Felipão também. Por isso ele deu um gritou. É tudo ou nada.

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