Felipão é especialista em jogos duros e difíceis e sabe como ninguém motivar elencos

Além de ter de jogar melhor, Palmeiras vai entrar 'pilhado', no bom sentido, contra o Boca Juniors no Allianz Parque

Robson Morelli

30 Outubro 2018 | 11h48

Não esperem nesta quarta-feira um Palmeiras sem vibração diante do Boca Juniors. Conhecendo Felipão e certo de que ele não mudou nada na sua forma de comandar times, o Palmeiras entra com a faca nos dentes na partida de volta da semifinal da Libertadores. O treinador se arma de tudo o que pode para conseguir a classificação. E os caminhos são os de sempre: melhor futebol do que o rival, sufocar o Boca e entrar com o emocional lá em cima, o que não quer dizer jogar sem inteligência ou batendo na própria sombra.

Mas não há dúvidas de que Felipão vai motivar o elenco de modo a fazer dele uma máquina de guerra. Não gosto muito deste termo no futebol porque acho inapropriado nos dias de hoje, mas se trata de uma partida dura e que será disputada até o último minuto. Uma preleção no gramado antes do jogo ou no intervalo mostraria bem o tamanho do envolvimento de todos. O torcedor adora isso. Se a vaga vier, entra para a história. Partida épica. Futebol por futebol, o Palmeiras é melhor. O torcedor entende isso.

A derrota por 2 a 0 sofrida na Argentina se deu no fim do jogo, após os 38 minutos do segundo tempo, e muito também pela postura defensiva do time brasileiro. O Palmeiras será completamente diferente do que foi na La Bombonera. O time terá menos volantes e mais armadores, se não desde o começo, certamente ao longo dos 90 minutos. O Palmeiras terá mais homens na área. O primeiro gol, se acontecer, dará o tom para tudo, principalmente se acontecer no primeiro tempo. Lembrando que o Palmeiras precisa devolver o resultado para levar a decisão aos pênaltis.

A bola parada será um inferno na área do Boca. Existe a possibilidade de começar com Deyverson por causa disso. Ele é melhor nas bolas pelo alto e ainda faz bem o toque naquela segunda bola para os meias. Borja é mais técnico, importante igual, mas com outro estilo de jogo. Bruno Henrique estará liberado para atacar.

É claro que há riscos e o Palmeiras terá de correr esses riscos. A classificação passa por isso. Apesar dos dois gols, a defesa do time jogou bem em Buenos Aires. Terá de decidir mais jogadas e correr bem mais. O Palmeiras precisa dos seus 11 jogadores, o que implica em alguns pedidos a Felipe Melo e aos mais esquentadinhos. Eles não podem ser expulsos. Deve haver um compromisso nesse sentido. O Boca fará onda. Vai parar o jogo a todo instante. Será um desafio aos nervos dos palmeirenses. Felipão já viveu isso 200 vezes.

Não há muito mais a treinar, a não ser pênaltis. A classificação do Palmeiras passa pelos pés de Dudu e Moisés. Se eles estiverem bem, o Palmeiras estará bem. Um último inimigo é o cansaço, mas esse deve ser superado como se fosse a última batalha. Lembrando ainda que as imediações do estádio estarão fechadas para quem não tiver ingresso, e que a polícia tem sido enérgica nesse sentido.