Férias e redução de salários, a saída para o futebol brasileiro enquanto a pandemia da covid-19 durar

Apenas o descanso foi aprovado em abril, de 20 dias; a redução dos vencimentos ainda está longe de acontecer na Série A

Robson Morelli

26 de março de 2020 | 21h47

As férias já foram anunciadas. A partir do dia primeiro de abril, todos jogadores de futebol do Brasil estarão de férias por 20 dias. Até aí, é uma troca de dinheiro. Os atletas não trabalham e só ganham os vencimentos adiantados pelo descanso. Depois esse período vai ser descontado do salário de cada um. Esse problema parece estar resolvido.

O segundo é mais complicado: baixar o salário, deixar de ganhar. Não houve acordo ainda com os clubes da primeira divisão. Os times da Série B já concordaram em reduzir em 25%. Vão quebrar. Tomara esteja errado. Não há previsão de o futebol voltar. Pode demorar dois ou três meses mais. A pandemia do novo coronavírus nem começou pra valer ainda no Brasil, embora o presidente Jair Bolsonaro diga o contrário. Tenho informações de médicos de UTI de hospitais grandes e pequenos de São Paulo de que a coisa é feia. E vai ficar pior se todos precisarem ser atendidos no mesmo dia, na mesma semana. Mas este é outro problema.

Os jogadores não querem baixar os salários. Estão certos? Errados? Difícil entrar nesse mérito. Na Espanha também não deu certo ainda. Mas na Alemanha deu. Há argumentos bons dos dois lados. Os jogadores têm vida profissional curta, de 25 anos, no máximo, e custo de vida alto. Querem porque querem o salário na conta. Como dizem, fizeram por merecer. Mas o mundo se une em prol de um bem maior, solidariedade, na luta contra um vírus que mata e ataca o mundo rompendo fronteiras, sem escolher, sem poupar ninguém.

A hora então é de repensar, estender a mão, olhar para o vizinho de forma diferente. Entender a situação dos clubes. Até agora isso não aconteceu. Os jogadores não negociam ‘face to face’ com o patrão. Então é mais fácil endurecer. Há ainda outro argumento. Os jogadores podem entender que os clubes deveriam ter dinheiro em caixa, formam e vendem jogadores o tempo todo, mas estão sempre passando o pires. Má gestão, claro. Estão apavorados.

O assunto não está encerrado. O das férias, sim, mas o dos salários, esse vai longe.

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