Fernando Diniz também precisa respeitar a tradição do São Paulo e seu jeito de jogar e ganhar

Fernando Diniz também precisa respeitar a tradição do São Paulo e seu jeito de jogar e ganhar

Time não pode se tornar refém do modo de fazer do treinador; é preciso respeitar as características e limitações dos atletas

Robson Morelli

02 de outubro de 2019 | 11h41

Primeira chance… Muito se tem comentado sobre o trabalho que Fernando Diniz deve desenvolver no São Paulo. Ele encara sua primeira semana no cargo, que pertencia a Cuca. De saída, tem um belo empate com o líder Flamengo no Maracanã. Jogo de resultado, sem futebol da parte tricolor ou com futebol de time pequeno.

Torcida dividida… Agora, os são-paulinos estão divididos entre o que fará Diniz no comando do time. Uma parte espera que ele “ensine” o grupo a tocar bola, a ficar com a bola, a propor o jogo com a bola e a ser novamente gigante dentro de campo, condição que perdeu nas últimas partidas, alguns dizem nos últimos anos.

Sem calafrios… A outra parte espera apenas que o São Paulo jogue futebol e honre sua tradição de equipe que briga por conquistas. Essa turma do Morumbi teme que Diniz insista em mudar tudo no São Paulo, de modo a exigir que o goleiro Volpi jogue mais com os pés e que Arboleda, por exemplo, saia da defesa com a bola dominada feito Franz Beckenbauer. Isso não vai rolar. A torcida vai começar a ter calafrios e o São Paulo vai se dar mal.

Patos nunca serão gansos… É um absurdo um time se tornar refém do modo de trabalho de um treinador. Espero que isso não ocorra com Diniz no São Paulo. Espero que ele olhe para o elenco e encontre um jeito de jogar melhor com as peças que tem nas mãos, e que não transforme patos em gansos. Porque patos nunca serão gansos, com perdão do trocadilho com o atacante Alexandre Pato.

O exemplo de Guardiola… O que quero dizer com isso? Que o bom treinador é aquele que entende e enxerga o seu elenco como ele é e faça dele um time competitivo sem inventar muito. Quando Pep Guardiola deixou o Barcelona, muita gente pensou que ele fosse fazer no seu novo clube o mesmo que fez no time de Messi, o tiki-taka, com a bola de pé em pé, sem chutões e lançamentos, esperando a hora certa, e fatal, para dar o bote, não se incomodando em recuar desde que a bola ficasse sob seu domínio. Ora, esse estilo era bom no Barcelona, com os jogadores do Barcelona. Não foi usado no Bayern de Munique nem no Manchester  City. Guardiola sabe o que pode e o que não pode fazer com seus jogadores.

Melhor elenco… Fernando Diniz deve ir até a página 2 com seu estilo e respeitar as características e limitações de cada um no elenco. Gosto de suas ideias, mas elas também precisam ser amadurecidas, trabalhadas, testadas e aprovadas ou não. Ele tem hoje o melhor elenco de sua carreira.

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