Fifa, Uefa, Conmebol e CBF precisam incluir no regulamento dos torneios regras claras sobre atos racistas no futebol

Fifa, Uefa, Conmebol e CBF precisam incluir no regulamento dos torneios regras claras sobre atos racistas no futebol

Marega, Taison, Daniel Alves e Neymar também já foram vítimas de atos racistas e tudo ficou por isso mesmo, alguns até foram expulsos, porque não havia previsão de punição

Robson Morelli

09 de dezembro de 2020 | 11h07

As pessoas que comandam o futebol não sabem o que fazer em casos de ofensas racistas nos estádios. O episódio do quarto árbitro da partida entre PSG e Istanbul foi o último sem punição, espera-se. Na pior das hipóteses, os jogadores começarão a sair de campo, abandonar o jogo, e isso já é ótimo. Quem não fizer isso, pode ser condenado pela classe e pela sociedade. Por isso que penso que tudo vai mudar a partir desse episódio.

Uefa, Fifa, CBF, Conmebol, todas essas entidades não sabem o que fazer contra o racismo no futebol. Erguer cartaz não serve mais. Ajuda, mas não é suficiente. As associações que comandam o futebol precisam incluir nos regulamentos das competições cláusulas claras sobre racismo ou qualquer outra discriminação. Simples assim. Educar é sempre o melhor caminho. Punir é sempre um apelo. Mas no caso, é preciso aprender a punir.

Multa em dinheiro parece estar longe de conscientizar clubes, jogadores, árbitros, torcedores e todos os envolvidos numa partida de futebol. Amamos esse esporte e não podemos deixá-lo morrer. Os times têm muito dinheiro e pagam suas multas sem sofrer. As entidades têm de aprender a lidar com o assunto de modo a coibir novos atos racistas e injúrias raciais. Me ocorreu agora aquela banana jogada na direção de Daniel Alves quando ele estava no Barcelona. Foi um ato racista da torcida. O jogo seguiu. Nada ocorreu. Daniel comeu a banana e teve de conviver com a agressão. Tivesse parado ali, o mundo esportivo pudesse estar melhor nesse sentido, assim como a sociedade.

Perder pontos, fechar portões, ser excluído dos torneios por tempo determinado. Esse pode ser o caminho no futebol. O clube pagaria indiretamente. No caso do juiz da partida do PSG e Istanbul, banimento do cidadão, que se defendeu segundo a imprensa francesa. “Só tento ser uma boa pessoa. Não vou ler nada do que sair na imprensa nos próximos dias. Qualquer um que me conhece sabe que não sou racista. É o que eu espero, pelo menos”, teria dito o quarto árbitro Colțescu em conversa com familiares.

 

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