A diretoria do São Paulo não age certo com Luis Fabiano

O futebol brasileiro é mestre em abandonar e desprezar seus craques. Mas alguns jogadores também param de jogar bem antes do último dia de contrato

Robson Morelli

26 de junho de 2015 | 10h22

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Tudo indica que essa é a última temporada de Luis Fabiano no São Paulo, na condição de terceiro maior artilheiro da história do clube, com 206 gols, mas com a possibilidade de aumentar sua marca. O contrato termina no fim do ano e nada ainda foi conversado para esticá-lo. Os clubes brasileiros são, em sua maioria, especialistas em desprezar seus ídolos. Mas também existe muito despreparo entre os jogadores quando essa condição se apresenta em suas carreiras. Há atletas que param de correr muito antes do fim do contrato, abrindo mão, muitas vezes, de anos de profissionalismo sério e competente.

Luis Fabiano vive essa condição, embora o jogador se defenda afirmando que não está tão mal assim na temporada. Mas é evidente que ele não é mais o jogador que foi, nem mesmo seu interesse, vontade de treinar e trabalhar são os mesmos. Isso tem a ver com os anos nas costas, mas também com disposição. Luis Fabiano, a vida todo, sempre foi um jogador que pedia carinho. Ele enrosca quando se sente largado ou menosprezado, como está sendo agora diante da diretoria do clube. E aí não rende. Luis Fabiano é o típico jogador que não se preparou mentalmente para algumas situações do futebol, como ficar no banco, por exemplo. Então, ele sofre, não rende o que pode, perde vontade e até condicionamento. Isso sem falar nas contusões, inerentes à vontade do jogador.

O futebol poderia ser mais bem resolvido nesse aspecto e tratar com mais respeito seus grandes jogadores,  e Luis Fabiano foi sim um grande jogador do São Paulo. Ainda merece esse respeito. Fosse o presidente do Tricolor, esticaria seu contrato até o meio do ano que vem, mas já na condição de ser o último. Então, o atacante teria um ano para se preparar, para fazer uma despedida em boa condição, para almejar conquistas e gols. E depois sairia numa boa, ou para a aposentadoria ou para novos desafios. É assim que se trata um ídolo. É claro que o Luis Fabiano do passado não é o mesmo de hoje. Essa molecada que corre pra caramba, chega atropelando, cheia de gás. Os ‘veteranos’ vão ficando para trás. Isso é natural em qualquer profissão. E muita gente prefere o dinamismo em troca da experiência. No futebol, é uma troca correta dado o vigor físico dos mais novos, uma vez que o esporte já não privilegia tanta técnica e ginga.

Luis Fabiano não é meu artilheiro preferido, nunca foi, mas é inegável que o São Paulo deve muito a ele e que ele está sim na história do clube em destaque. Esse silêncio da diretoria sobre seu futuro não é justo.

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