Vender Barcos pode ser uma boa

Robson Morelli

08 de fevereiro de 2013 | 14h27

A possível transferência de Barcos para o Grêmio precisa ser analisada de algumas formas, e a principal delas, a que o Palmeiras provavelmente está se apegando, é a financeira. Dinheiro em caixa e dívidas pagas. O Palmeiras é hoje um clube que passa o pires para ganhar um troco, que vende o almoço para conseguir o jantar.  Não há muito o que fazer nesse momento. E essa é a diferença (negativa) do Palmeiras para os outros grandes do futebol brasileiro. Na Academia, todo vez que se troca de presidente é preciso recomeçar do zero. Um erro fatal nas administrações do clube.

Paulo Nobre e Brunoro liberaram Barcos para conversar com o Grêmio, de Luxemburgo. O torcedor deve entender que meio caminho já está andado para que o argentino se mude para Porto Alegre. Ninguém é liberado se a negociação já não estiver encaminhada. Portanto, Barcos deve mesmo estar de saída.

O acordo envolve dinheiro. E é isso que seduz o Palmeiras. Duvido que Brunoro liberaria Barcos por outro motivo. O Grêmio pagaria R$ 1,5 milhão da dívida do Palmeiras com o atacante. Daria outros R$ 2 milhões para o clube paulista. Liquidaria a dívida do Palmeiras com a LDU, de onde o argentino veio, de 2 milhões de euros. E o negocia ainda prevê o pagamento de bônus ao empresário e irmão de Barcos de quase R$ 1 milhão. Tudo isso ainda precisa ser discutido e colocado no papel.

E não é só. O Grêmio também liberaria outros cinco jogadores: Vilson, Marcelo Moreno, Léo Gago, Leandro e Rondinelly. Moreno é bom jogador, embora não possa ser usado mais na Libertadores porque já jogou pelo time gaúcho. Mas poderia ajudar muito o time de Gilson Kleina a subir na Série B do Brasileiro. Rondinelly foi trocado por Marco Aurélio, que provavelmente não quis vir.

O Palmeiras, na verdade, assume sua condição e entende que a Libertadores, nesse momento, é sonho grande demais.

Então, pensa na grana. E financeiramente, o negócio parece bom para o Palmeiras.

O que mais deve incomodar ao torcedor é o fato de o Palmeiras abrir mão de seu principal jogador. Barcos já estava entrosado e nas graças da torcida. O Pirata tinha uma legião de fãs na arquibancada. Perdê-lo, num primeiro momento, parece enfraquecer a equipe. Tira o que está dando certo e, assim, tornar-se mais fraco.

Com o tempo e entrosamento dessas caras novas, a impressão pode se desfazer. E Kleina pode acertar. Outro ponto importante é saber se os jogadores que o Grêmio está liberando gostariam de vestir a camisa do Palmeiras. Sem isso, já digo que não dará certo. O Palmeiras é grande, mas nesse momento tem poucas forças para brigar com seus rivais nos bastidores.

Há ainda o fato de Barcos estar forçando a barra para se transferir. Ele nunca disse que disputaria a Série B. E isso tem peso na carreira de um jogador. No futebol moderno, não há mais espaço para jogadores fiéis ao clube. E Barcos está apenas pensando em sua carreira. Se o Palmeiras não tivesse caído para a Segundona, certamente a história seria outra. Certamente.

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