Flamengo deveria parar de se explicar e indenizar de uma vez as famílias dos garotos mortos no CT

No próximo dia 8, a morte dos dez meninos completa um ano

Robson Morelli

02 de fevereiro de 2020 | 15h20

No dia 8 deste mês, a tragédia do Ninho do Urubu, como ficou conhecido o incêndio no CT do Flamengo que matou dez garotos das categorias de base do clube e deixou outras três feridas, completa um ano sem que o Flamengo resolvesse a contento as pendências financeiras com as famílias dos meninos que estavam sob sua vigilância, sua responsabilidade. Há muitas explicações por parte dos advogados do Flamengo e de seus dirigentes, todas elas verdadeiras. Ocorre que isso não resolve. O Flamengo deveria solucionar isso o quanto antes, de preferência antes de o episódio completar 12 meses. Três famílias aceitaram o que o clube ofereceu. Outras sete não aceitaram. O Flamengo diz que oferece muito mais do que o mercado determina. Mesmo assim, pais e mães das crianças mortas, e também seus advogados, não chegam a um acordo.

As vidas desses jovens, cheios de sonhos, já foram ceifadas. Dinheiro nenhum do mundo vai trazê-los de volta. Nada do que o Flamengo oferecer será suficiente. São contas sobre vidas humanas. Mas me parece que uma das partes, a do clube, joga com o tempo para fazer amolecer corações. O fato é que as discussões dessa natureza, muitas vezes, vão para as mãos de advogados e não andam mais. Penso que indenizar as famílias deveria ser imediato. Não foi. Mas ainda há, nesta semana em que o ocorrido completa um ano, a chance de se andar para frente, de acertar o mínimo para conforto das famílias. O Flamengo tem condições de recuperar cada centavo oferecido nas próximas temporadas. Os meninos mortos não mais. O sonho de ser jogador de futebol acabou para todos eles, assim como a esperança de seus pais de mudarem de vida, muitas vezes de uma vida miserável.

A turma do Flamengo deveria deixar de falar tanto e assinar logo os contracheques. Os advogados das famílias deveriam rever condições e acabar de vez com esse sofrimento financeiro. A disputa jurídica só piora o que já foi trágico. Deveria ter um órgão público que defendesse as crianças nesse sentido. Eram todos menores de idade.

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