Fred paga por ser o último rebelde do futebol brasileiro

Fred paga por ser o último rebelde do futebol brasileiro

Atacante do Fluminense faz leitura correta do cenário e fala o que pensa e sente. Só isso já o faz diferente

Robson Morelli

17 de abril de 2015 | 17h29

FredEstadao_570

Fred é o que se pode chamar de o último rebelde do futebol brasileiro. Ele está fora da partida do Fluminense com o Botafogo, pela semifinal do Campeonato Carioca, por ter falado mal da organização do torneio estadual do Rio, da arbitragem e de quem comanda o futebol carioca. Seu clube tenta efeito suspensivo, mas não tem grandes esperanças de conseguir a liberação do atacante.

Fred foi chamado de ‘cone’ na Copa do Mundo por sua pouca mobilidade no time de Felipão. Jogou mal e ele deixou o vestiário do Mané Garrincha após a derrota do Brasil para a Holanda por 3 a 0, no encerramento de sua participação no torneio, sabendo disso. Mesmo assim, fez questão de ressaltar que não poderia assumir sozinho o fracasso da equipe brasileira. Não fugiu das perguntas feitas por este repórter, que o perseguiu na zona mista (por onde passam os jogadores) até o fim.

Desde lá, Fred mostra um entendimento correto do futebol. Lê o cenário como poucos dentro de campo. Por isso suas declarações ecoam forte. Bate pesado. Ele foi “injustamente” expulso no Fla-Flu, e depois pediu o fim do Cariocão. Estava de cabeça quente, mas não disse nenhum absurdo. O Cariocão deve mesmo acabar. Assim como o Paulistão e o Gauchão, entre outros regionais que valem pouco nesse momento do futebol nacional. Talvez fosse mais interessante criar um regional por regiões, dividindo o Brasil, com seus campeões fazendo um torneio mata-mata, rápido, com jogos de ida e volta.

Fred, ao pedir o fim do Campeonato Carioca, faz uma leitura correta do cenário estadual no Rio, podendo se estender por outros estados.

Um pouco mais atrás, Fred também rebateu na mesma moeda o que chamou de ‘perseguição’ de parte da torcida organizada do Fluminense, que não deixava jogador nenhum trabalhar em paz. Mais uma vez, o atacante mineiro toca na ferida que poucos de sua profissão têm coragem de tocar, lembrando dois jogadores do passado que tinham da mesma forma um entendimento claro da situação esportiva da época. Refiro-me a Paulo Cezar Caju e Almir Pernambuquinho.

Isso não faz de Fred mais nem menos do que ninguém, nem inocente nem culpado, mas apenas um rebelde com coragem de falar o que pensa e de pensar antes de falar, mesmo de cabeça quente. Só isso já o torna diferente de muitos por aí.

Tudo o que sabemos sobre:

Fred; Fluminense; futebol

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.