Futebol brasileiro deve parar. Ele não pode aceitar a bagunça das liminares, a falta de comando e o desejo de dirigentes inescrupulosos

Futebol brasileiro deve parar. Ele não pode aceitar a bagunça das liminares, a falta de comando e o desejo de dirigentes inescrupulosos

O que se viu antes da partida entre Palmeiras e Flamengo foi uma demonstração do tamanho do amadorismo da modalidade. Tudo parece uma grande várzea

Robson Morelli

28 de setembro de 2020 | 06h00

A vergonha que foi a realização da partida entre Palmeiras e Flamengo não pode acabar nela mesmo, após os 90 minutos de um jogo jogado depois de tantas liminares e decisões na Justiça. É preciso ter respeito com o futebol brasileiro, com seus jogadores, treinadores, árbitros e demais profissionais envolvidos numa apresentação. Isso sem falar do público. O que fizeram antes do jogo foi mais uma demonstração da bagunça e estágio do futebol no Brasil, dos mandos e desmandos, das liminares que pareciam enterradas na modalidade, da falta de comando de quem deveria organizar tudo isso, dos dirigentes de clubes que se acham acima do bem e do mal e da condição de refém de cartolas inescrupulosos. FOTO. Marcio Fernandes/Estadão 

 

O futebol deve parar para o bem dele próprio. Nem quero entrar aqui na discussão sobre os elencos infectados com a covid-19. Enquanto não se estabelecer normas e regras claras, bem pensadas e de comum acordo com todos os clubes, a bola não deveria mais rolar. Mas nada disso vai acontecer. A CBF precisa fazer alguma coisa. Tem de se reunir novamente com todos e tomar decisões. O futebol brasileiro beira o amadorismo. Os cartolas são truculentos. Os jogadores não são ouvidos nem têm interesses em falar. São um bando de cordeiros, paus mandados, alienados.

Fosse uma classe séria e respeitada, nesta segunda-feira eles tomariam uma decisão, a de não entrar em campo enquanto o futebol continuar desorganizado, de só jogar com aviso de 48 horas antes de começar a partida… O mesmo vale para treinadores e árbitros. Tudo farinha do mesmo saco. São todos reféns de uma consciência que não existe, de regras que são burladas, de decisões sem validade.

Palmeiras e Flamengo levou o futebol brasileiro para as trevas. Tudo parece remendado na modalidade. Isso explica o que se joga em campo e a louca necessidade de o jogador fazer as malas e ir embora. Ninguém quer mais ficar no futebol nacional. Se pudessem, todos iriam embora. Os treinadores se contentam com pouco. Os jogadores oferecem cada vez menos. Os dirigentes só olham para o próprio umbigo. E tudo parece bem. Não está. O nosso futebol está doente.

A CBF deve se reunir com seus pares para avaliar tudo o que ocorrer antes desse jogo. Precisa se impor. Os patrocinadores não devem estar satisfeitos com suas marcas atreladas em uma competição que dá o que falar de forma negativa. E se não enxergam assim, estão então no lugar certo. Ainda não perceberam que o futebol brasileiro não é nem o mais forte da América do Sul, o que dirá da Europa. Basta ver o futebol pelo mundo para entender o quanto o Brasil está atrasado, das imagens mostradas ao jogo jogado, passando por todos os outros quesitos.

Perdemos a oportunidade de mudar tudo isso na Copa, depois dela e agora com a pandemia. Tudo virou uma grande várzea.

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