‘Futebol da Morte’ volta hoje ao Rio com aval de clubes, prefeito, governador e CBF

Botafogo e Fluminense se recusam a retornar e levantam bandeira pela vida no Estado e na luta contra a covid-19, diferentemente de Flamengo e Vasco; não está descartada medida limitar para impedir de a bola rolar

Robson Morelli

18 de junho de 2020 | 11h00

O “Futebol da Morte” volta nesta quinta-feira ao Rio de Janeiro, com jogo entre Flamengo e Bangu no Maracanã, cujo palco completou 70 anos desta semana e vai receber o presidente da República Jair Bolsonaro, conforme anunciou o prefeito da cidade Marcelo Bezerra Crivella – informação não confirmada pela agência de Brasília. A partida que reabre o futebol brasileiro está marcada para 21h. Não está descartada sua anulação com medida liminar de órgãos competentes, o que pode acontecer até momentos antes de a bola rolar. O Campeonato Carioca é retomado sem o aval de todos os clubes do Estado, diga-se. Botafogo e Fluminense são contrários à decisão, seus jogadores não querem atuar e suas diretorias prometem recorrer à justiça. Sem os dois grandes, o Cariocão “não existe”.

Os tradicionais times do Rio levantaram a bandeira da vida, em função das mortes por covid-19 de seus torcedores e da população em geral no Estado. Não há clima para o retorno em meio à pandemia. O futebol do Rio pegou carona nas medidas de abertura do comércio decretadas pelo governador e prefeito. Ocorre que o futebol vai fazer as pessoas se aglomerarem nas ruas, bares semiabertos ou em locais de encontros dos torcedores. O Maracanã vai ter um jogo de 90 minutos ao lado de um hospital de campanha, único entregue até agora dos prometidos pelo governo.

O futebol do Brasil deveria voltar em julho, mesmo assim tomando por base o estágio da doença nos Estados e no País, de modo geral. Já estamos tendo notícias positivas em relação ao novo coronavírus e à luta do País contra a pandemia. É questão de mais dias ou semanas para o Brasil descer a ladeira, tomara, como fizeram todos os países do mundo na nossa frente nesse sentido. Continuamos tendo de usar máscaras, lavar as mãos e não se envolver em aglomerações.

Ocorre que a volta do futebol vai, no mínimo, potencializar pessoas juntas para torcer, apesar de as partidas serem retomadas sem público dentro dos estádios. Os jogadores também treinaram pouco para a volta, vão se machucar por causa do preparo físico ou da falta dele. A cabeça está em outro lugar. Há preocupações em contaminar familiares, de modo que continuar treinando era o ideal nesse momento, isolados em seus CTs.

Vale destacar que todos os outros clubes concordaram em voltar, capitaneados pelos gigantes Flamengo e Vasco. Tomara as mortes no Rio não aumentem por causa do futebol. O Brasil vai chegar nos 50 mil óbitos e 1 milhão de contaminados na mesma semana que as partidas no Rio serão retomadas. A CBF, que poderia segurar esse retorno precipitado, deu às federações e aos clubes o direito de resolver a situação. Cômodo.

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