Futebol ganha com o cancelamento da decisão da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors

Futebol ganha com o cancelamento da decisão da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors

É decepcionante porque todos queriam ver esta partida, mas não dá para aceitar a selvageria. O futebol morre hoje para renascer melhor amanhã

Robson Morelli

25 de novembro de 2018 | 15h37

Quem gosta de futebol e queria ver a final entre River Plate e Boca Juniors, assim como todos os profissionais envolvidos com o evento maior da Libertadores de 2018, ficou decepcionado, arrasado, sem entender por que o jogo não aconteceu neste domingo como havia informado a Conmebol na véspera, após confusão com o ônibus e jogadores do Boca provocada pelos torcedores do River – o ônibus foi apedrejado, atletas ficaram feridos e as duas equipes combinaram de não jogar sábado para jogar domingo.

Neste domingo, o Boca não quis jogar e não jogou. Os torcedores do River Plate estavam chegando ao Monumental de Nuñez quando a decisão do novo cancelamento foi anunciada pela Conmebol, inclusive dentro do estádio nos alto-falantes. Do ponto de vista da organização, das tevês envolvidas, dos torcedores que foram a Buenos Aires ver de perto o “jogo do século” na Argentina, a frustração é gigantesca. Todos perderam. O futebol perdeu.

Ocorre que, olhando lá na frente, o exemplo pode servir, e muito, para arrumar esse futebol que queríamos ver, conter a violência, parar com a selvageria que se vê entre torcedores rivais, em campos rivais, com bandeiras rivais. A Libertadores carrega a fama de fazer jogos violentos dentro de campo. Isso tem de acabar. Soco na cara do adversário não pode ser permitido. No sábado, os próprios jogadores de Boca e River, mais do Boca, decidiram pela “não” partida. Ok. Mas a Conmebol garantiu que teria hoje. E não conseguiu cumprir sua promessa. Errou pela segunda vez. Os torcedores ficaram sete horas no estádio no sábado. Isso não se faz. Zero para a organização.

Tenho esperança que o exemplo e a decisão possa servir para alguma coisa. Possa impedir a próxima pedra no ônibus de quem quer que seja. Que a Fifa, presente em Buenos Aires, tome decisões sérias. O presidente Infantino está lá. Então, que toda essa bagunça sirva para o bem do futebol, para moralizar, para ter mais respeito, enfim, para salvar o futebol que tanto gostamos e amamos. Quem não queria ver esse River e Boca no mundo? Todos nós queríamos. Mas atitudes erradas, pessoas feridas, possíveis mortes, como já tivemos, precisam ter consequências. O futebol não é lugar de “vale tudo”. Então, o cancelamento do jogo pode servir para salvá-lo, mesmo que muitos estejam decepcionados com o “não jogo”.

MUNDIAL

Há ainda um outro problema. O Mundial de Clubes da Fifa começa dia 12, em Abu Dabi, nos Emirados Árabes. O ganhador da Libertadores é o representante da Conmebol nesse torneio. Os dirigentes da entidade vão se reunir na próxima terça para saber o que fazer com o jogo que não teve. A Argentina vai ser povoada pelos governantes do G-20. A Polícia já disse que não consegue fazer a segurança do evento político e esportivo ao mesmo tempo. A Conmebol está perdida. Os clubes pagam pelos atos de meia dúzia de torcedores. Uma pena. Mas penso que o futebol morre hoje para renascer mais forte amanhã.

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