Futebol não é briga, mas se montam muitos times em grandes batalhas como a de Montevidéu

Futebol não é briga, mas se montam muitos times em grandes batalhas como a de Montevidéu

Palmeiras pode sair fortalecido por vias tortas da confusão generalizada contra o Peñarol, mas não se pode defender o que aconteceu

Robson Morelli

27 de abril de 2017 | 13h11

A batalha a que me refiro é dentro de campo, no tempo normal de bola rolando, quando o Palmeiras virou um resultado adverso de 2 a 0 para 3 a 2 na casa do adversário. É não era um rival comum. Era o Peñarol, que tem história e tradição na América. Mesmo a despeito de um primeiro tempo fraco por erro na escalação, o Palmeiras sai fortalecido, com poder de reação e quase classificado para a próxima fase da Libertadores. Mas futebol não é briga nem jamais vai ser. Não é esse exemplo que queremos para nossas crianças. Sabemos de toda a malandragem existente no futebol, da várzea ao profissional, do sub13 aos sub23, que a briga generalizada em Montevidéu tem críticos e defensores. Sabemos ainda que episódios como o que aconteceu no Uruguai podem fortalecer elencos e unir grupos divididos.

Felipe Melo, do Palmeiras, dá um soco em rival do Peñarol (AP Photo/Matilde Campodonico)

O Palmeiras poderá se valer da briga, do soco de Felipe Melo, dos uruguaios pegando Prass na covardia (eram cinco contra um), dos portões fechados para a entrada do vestiário, dos bravos seguranças palmeirenses que seguraram a bronca e protegeram os jogadores, dos atletas que tentaram em vão colocar panos quentes, da certeza de que no grito não se ganha jogo e de tudo o mais que vimos e ouvimos da confusão, para se fortalecer na Libertadores, competição que escolheu para disputar com todas as suas forças. Óbvio que não se defende aqui nada do que ocorreu pós-jogo. Reforço: isso não faz parte do futebol. E quando se generaliza, é difícil apontar um culpado. Todos são. É claro que as declarações de Felipe Melo de que daria tapa da cara de uruguaios, mesmo que em sentido figurado e depois com legendas para se explicar, ajudaram a esquentar os ânimos do confronto, lá e cá. Mas o volante não pode ser responsabilizado por tudo. Como vimos, todos brigaram. E os uruguaios agiram na covardia. Felipe atacou ou se defender? Acho que se defendeu atacando.

Espera-se punição para os dois clubes, e isso vai prejudicar mais o Palmeiras, que seguirá na competição e ainda não se sabe se o Peñarol vai se classificar. Então, qualquer punição imposta pela Conmebol, a Confederação Sul-Americana de Futebol, vai prejudicar mais o time brasileiro. A punição deve acontecer. Compactua com ela. Não se pode sair impune após a selvageria que vimos em campo, na arquibancada, no caminho para o vestiário.

EDUARDO BAPTISTA
O desabafo de Eduardo Baptista sobre o questionamento ao seu trabalho de parte da imprensa talvez tenha sido o momento mais ‘sem noção’ do jogo em Montevidéu. Não era lugar para aquilo nem para aquilo tudo. Eduardo bateu forte na imprensa de modo geral quando deveria resolver seus problemas pontuais com os devidos desafetos. Ele passou do ponto. E, como todo treinador, deveria se preocupar com o Palmeiras e não com os jornalistas. Escrevo isso com muita tranquilidade porque defendo Eduardo desde o seu primeiro dia de trabalho no Palmeiras. Entendo que ele tem potencial para crescer e se aprimorar na carreira. Erros e acertos fazem parte do processo. Mas seu desabafo, seja lá com quem for, não deveria ter sido conduzido em cadeia nacional. Se ele tem problemas, tem de resolvê-los. Se teve no passado de engolir situações desagradáveis, como escalar obrigatoriamente um ou outro, talvez não tenha agora. Era só dizer isso diretamente aos que o acusam. Era só se explicar para os querem, como eu, ouvir e entender. Esse é o meu trabalho e da maioria dos repórteres que cobrem o Palmeiras. Poderia nos ter poupado de tudo aquilo com mais serenidade.

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