Futebol tem disso: ao vencedor, tudo. Ao perdedor, nada. Será assim com Palmeiras e Santos

Rivais decidem nesta quarta-feira, em São Paulo, o caneco da Copa do Brasil. No jogo da Vila, o anfitrião ganhou de 1 a 0

Robson Morelli

02 de dezembro de 2015 | 10h24

Palmeiras e Santos têm a chance nesta quarta-feira de terminar o ano sentindo o doce sabor da conquista, da missão comprida e da certeza de andar por caminhos certos mesmo em tempos duvidosos no futebol, tudo o que um título representa e pode significar na vida de um clube. Isso implica dizer também que o perdedor passará por revista e terá de repensar e descobrir onde errou, por que perdeu, o que não deu certo. O futebol brasileiro tem disso: ao ganhador, tudo. Ao perdedor, nada. Sucesso e fracasso em 90 minutos. Ocorre que nesse caso, numa possível derrota do Santos, o clube da Vila pagará bem caro por suas próprias decisões. Refiro-me ao fato de Dorival Júnior ter abandonado o Campeonato Brasileiro quando estava na quarta posição para se dedicar à Copa do Brasil. Se perder para o Palmeiras, ficará sem o título e também sem a vaga na Libertadores do ano que vem. Um castigo capaz de levar qualquer um para o divã.

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Não duvido dos motivos que levaram o treinador santista a abrir mão do Nacional em função de uma decisão em que precisava ter seus homens mais inteiros e sem dúvidas em relação à parte física, além de recuperados de todo o desgaste do ano. Ocorre que o tiro por enquanto saiu pela culatra, sobretudo pela vantagem do Santos de 1 a 0 apenas. É sim uma vantagem, mas não suficiente para comemorar de véspera na casa do adversário. Sem falar na derrocada do Santos no Brasileirão, já sem chance de voltar a figurar no G-4 na rodada de domingo, a última do ano. Se ganhar, ganhará o time de melhor elenco e que fez um segundo turno impecável com a chegada de Dorival. O Santos somou 16 vitórias seguidas em casa e mandou dois jogadores para a seleção brasileira, Ricardo Oliveira e Lucas Lima. A Copa do Brasil, portanto, estará em boas mãos. Se perder, fica sem nada, feito o apostador que coloca todas as suas fichas numa única cartada. Fica sem título e sem vaga na Libertadores.

Da mesma forma, o Palmeiras vive a expectativa de salvar o ano numa temporada de formação. O Paulistão bateu na trave diante do mesmo Santos, mas o time ainda estava nesse processo de se conhecer com a chegada dos 25 contratados. Eles foram se juntando ao elenco e dando uma cara à equipe, ora com boas apresentações, ora com partidas horrorosas. E assim tem sido. A derrota na Vila por 1 a 0 na primeira partida da decisão com o Santos foi considerada de bom tamanho. Esperava apanhar de mais. Correu para não jogar, mas para impedir que a final acabasse lá. Desse ponto de vista, deu certo. O Palmeiras tem tudo para terminar o ano com uma conquista e com a vaga da Libertadores assegurada. É o que espera seu torcedor, jogadores e dirigentes. O caminho é duro porque enfrenta um rival teoricamente melhor. Precisa fazer o mesmo placar para levar a decisão para os pênaltis. Se abrir mais de um gol de vantagem, fica com a taça. Empate é do Santos. É uma matemática simples. Tem ainda a seu favor o fato de jogar diante de sua gente, muita gente. Os 38 mil ingressos foram vendido com antecedência.

A conquista daria ao Palmeiras a confiança que o time precisa. Confiança que lhe faltou em boa parte dos jogos deste ano. Ganhar a Copa do Brasil tiraria um fardo pesado das costas desse elenco, que ficará para 2016, se não todos os jogadores ao menos boa parte deles. Mas como mencionei nesse artigo, a derrota também levará o time alviverde, seus dirigentes e comissão técnica para o exercício da reavaliação. Nesse caso, o primeiro a ser reavaliado é o treinador, provocando mudanças, quem sabe a volta para a estaca zero. Daí a necessidade de jogar melhor e correr mais que o oponente, de ganhar em sua casa uma partida simples contra um oponente de tradição igual, nem mais nem menos, mas apenas igual.

Santos e Palmeiras têm o privilégio de jogar uma final no encerramento do ano, com motivos de sobra para se esforçarem num último suspiro. Vai ser um jogão!

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