Futebol tem seu dia de luto com Havelange e a seleção de Marta

Futebol tem seu dia de luto com Havelange e a seleção de Marta

Robson Morelli

16 de agosto de 2016 | 16h43

O futebol brasileiro teve seu dia de luto nesta terça-feira. Logo de manhã, tivemos a confirmação da morte de João Havelange, no ano do seu centenário. O maior dirigente que o Brasil já teve deixou esse mundo em meio aos Jogos Olímpicos no Brasil – uma decisão que também ajudou a ser tomada em seus últimos atos no poder. João Havelange foi um homem de duas faces. A primeira, a de um revolucionário e empreendedor no futebol, na CBD e na Fifa, entidade que comandou por 24 anos. Foi ele que transformou e deu à modalidade a importância e o tamanho que tem hoje. Reza a lenda que assumiu a Fifa com caixa de US$ 20 e 13 funcionários sob seu comando. Entregou a mesma entidade a Blatter, então seu secretário-geral, já gigantesca, maior até que a Organização das Nações Unidas (ONU), rica e com poder de Estado.

A segunda face de João Havelange é obscura, revelada, ou desmascarada, por uma uma onda de acusações de falcatruas, propinas e corrupção praticadas durante sua gestão no futebol, durante os anos em que esteve à frente do esporte mais popular do mundo, com poder inabalado e decisões inquestionáveis. Um homem acima das leis. Em nome do futebol, Havelange andou de mãos dadas com ditadores africanos e do mundo árabe, prometeu mundos e fundos e troca de apoio, mesmo que para isso comprometesse sua administração, honra e até alma. Havelange morreu muito antes de seu coração parar nesta terça-feira. Morreu quando teve seu nome excluído da Fifa e do COI, quando o poder lhe foi tirado,  quando foi abandonado pelo amigos e parceiros. Ignorado em sua própria biografia. Nem mesmo o COI se manifestou com veemência em seu luto. Fifa e CBF fizeram o protocolar. Era um moribundo no mundo em que criou.

A segunda morte desta terça-feira não foi literal, mas muito mais sentida pelos torcedores do Brasil. Ocorreu no meio da tarde, quando a seleção feminina de Marta e companhia deu adeus à briga pela medalha de ouro dos Jogos Olímpicos após derrota nos pênaltis para a Suécia – time que apanhou de 5 a 1 do Brasil na fase de grupos. Essa não era uma morte anunciada, mas aconteceu, como vem acontecendo em todas as Olimpíadas. O futebol brasileiro parece fadado a não ter sua medalha de ouro. Também é o fim olímpico de muitas jogadoras, como a própria Marta, cinco vezes escolhido a melhor do mundo, e Formiga, em sua sexta edição dos Jogos. O time do Brasil tentará agora o bronze. Vai ser difícil arrumar forças para reagir.

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