Um retrato dos quatro grandes do Estado: Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo

Quem está em situação mais delicada é o Corinthians

Robson Morelli

19 de dezembro de 2016 | 11h04

Dos quatro clubes grande de São Paulo, o Corinthians é quem tem mais problemas nesse momento, o que não quer dizer que ele passará por apuros em 2017, embora todas as suas movimentações apontem nessa direção. Descobrir um treinador tem sido um parto no Parque São Jorge. Ouvi de um amigo que o Corinthians tinha três problemas sérios na temporada e que só conseguiu resolver um, a venda de Alexandre Pato para a Espanha. Falta ainda achar um padrinho para batizar o seu estádio e encontrar um técnico. Veja os possíveis caminhos para os quatro de São Paulo.

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CORINTHIANS
Tudo o que o clube imagina para 2017 passa necessariamente pela definição do comandante. Jair Ventura, do Botafogo, interessa. Mas como o treinador é um novato, muito provavelmente vai preferir ficar no seu porto seguro em General Severiano. Paulo Autuori, do Atlético-PR, é outro na mira. É preciso saber se ele vai querer trocar o ‘certo’ pelo duvidoso. É fato que a bagunça que se tornou o Corinthians tem seu preço quando o clube vai ao mercado. As três demissões de técnicos neste ano tiram do clube sua condição de ‘ambiente estável’ dos últimos anos. Quem vai querer entrar nessa fria, sabendo que poderá ser demitido em breve? O presidente Roberto de Andrade mostrou-se inseguro no cargo e disposto a fazer de tudo para apaziguar sua gestão política de mais doze meses. Há ainda o problema da fragilidade do elenco. Esse é mais fácil de ajeitar, com a chegada de um ou outro jogador e a recuperação dos que estão no grupo. O fato de trocar de técnico algumas vezes também desmotiva o time. É fato. O Corinthians precisa ainda se livrar de dívidas de curto prazo na ordem dos R$ 100 milhões, fazer virar o estádio, arrumar seu padrinho e resgatar a presença dos torcedores, que deixaram de ir ao Itaquerão nas rodadas finais do Brasileiro. Não terá a Libertadores em 2017, mas poderá se mostrar na Sul-Americana. Mais do que isso, precisa se dar bem logo no Paulistão. Se não conseguir se recolocar, corre sim o risco de ter um ano duro, com possibilidades e dias mais tristes no fim da temporada.

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PALMEIRAS
Perdeu Gabriel Jesus para o Manchester City e isso vai lhe custar uma queda de rendimento, não há dúvidas. O clube precisa repor a peça com inteligência e pressa, para recomeçar o ano com elenco pronto. Isso faz diferença. O novo treinador, Eduardo Baptista, terá missão dura: fazer o time andar como se estivesse nas mãos de Cuca. Como o Corinthians sofreu comparações depois da saída de Tite, o Palmeiras também passará por isso. Eduardo tem a seu favor um time desenhado. A direção do Palmeiras, agora sob o comando de Maurício Galiotte, também muda sua forma de administrar. É preciso saber como o clube será gerido pelo novo presidente. Tudo isso influência na temporada. Galiotte e seus parceiros do futebol terão de rever o elenco, dispensar alguns jogadores, contratar outros. Alexandre Mattos é o homem dos negócios. Como ele ficará no Palmeiras por mais duas temporadas, estima-se que o time continuará nos trilhos. A Libertadores é o grande objetivo. Há ainda o dinheiro do parceiro, que promete investir mais de R$ 80 milhões no ano. Tudo isso ajuda a pensar num 2017 bom. A primeira resposta virá mesmo do banco de reservas, do trabalho de Eduardo Baptista, um novado que saiu da Ponte Preta para sua grande empreitada na carreira. A ver.

 

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SANTOS
O segredo do Santos se chama Dorival Junior. O técnico acertou a mão na Vila Belmiro e promete permanecer no clube em 2017. Não tem porque sair agora, uma vez que depois de tantos anos o time finalmente figurou entre os melhores do Brasil. É ano de Libertadores. Dorival tem o aval da diretoria e, pelo trabalho feito nesta temporada, com o título do Paulista e o segundo lugar do Brasileiro, se destaca entre os mais competentes do futebol brasileiro. O time, no entanto, precisa de mais peso. Lucas Limas deve ir para a China. O meia é o principal atleta do elenco. Se ele sair, haverá um buraco no setor. Dorival conversa com a diretoria nesse sentido, de manter seus principais jogadores e conseguir outros. A boa performance também passa pela volta do santista à Vila. A média de público é de 11 mil torcedores, mas houve partidas importantes em que a arquibancada tinha só 5 mil. A base ainda é uma boa saída para o clube. O Santos revela bem e gasta pouco. Tem sido assim há anos. Mas com Libertadores, o time precisa de um elenco mais cascudo. Ganhar fora de casa é fundamental também. O Santos sofreu nove derrotas fora da Vila no Campeonato Brasileiro, e somou três empates. Precisa melhorar essa condição, uma vez que consegue se dar bem em sua casa. O equilíbrio é fundamental, diz Dorival. Mantendo a base do time e sua comissão técnica, o Santos sai na frente.

 

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SÃO PAULO
A grande expectativa do São Paulo é com o trabalho do técnico Rogério Ceni. Tudo em 2017 vai girar em torno disso no Morumbi. Goleiro que fez história no clube, ele terá agora nova missão: recuperar o prestígio do São Paulo, ajudar na eleição do presidente Leco, formar um elenco à sua altura, reaproximar o torcedor do time, limpar e reforçar o grupo. Tudo isso já a partir de janeiro, na preparação para o Campeonato Paulista, que passa a ser importante para a equipe. Ceni terá de tomar decisões duras num elenco que conhece bem. Michel Bastos será vendido. Wesley não deverá ficar. Denis perderá posição para Sidão. Os laterais serão trocados. É preciso mais atacantes de peso além de Chavez. Sua comissão será de estrangeiros e é preciso saber como isso vai funcionar com o grupo. O fato é que as apostas em Ceni são altas no Morumbi desde já.

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