Gabriel Jesus lembra Ronaldo em começo de carreira

Gabriel Jesus lembra Ronaldo em começo de carreira

Atacante do Palmeiras é habilidoso, veloz, inteligente e com faro de gol. Se for metade do que o Fenômeno foi, será craque

Robson Morelli

28 de agosto de 2015 | 08h42

O Palmeiras caminha para uma regularidade que o torcedor não estava acostumado a ver em temporadas passadas, quando o time mais perdia do que ganhava, e quase sempre não jogava bem, irritando seu torcedor. Nas mãos de Marcelo Oliveira, e também porque tem um elenco de maior qualidade em todas as posições, o time vai se acertando rodada a rodada, sem deixar a competitividade cair. Joga mal algumas vezes, tem jogadores que somem em campo em determinados momentos das partidas, mas está no rumo certo. Briga pelo título da Copa do Brasil e também do Campeonato Brasileiro, mesmo com a vantagem do Corinthians na liderança do torneio. A vitória diante do Cruzeiro, em Minas, enquanto o time se propôs a jogar com seriedade e em busca do gol, mostra esse amadurecimento. É um time para 2016, mas pode sonhar com conquistas em 2015.

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A partida de quarta-feira, no entanto, serviu para outra coisa, além de classificar o Palmeiras para as quartas de final da Copa do Brasil: fazer Gabriel Jesus homem. Explico. Aos 18 anos, o garoto é poupado no clube para não queimar etapas em seu crescimento, o que é aceitável dada sua pouca idade e experiência, para não dizer deslumbramento com a fama, tímido que é. Diria até que é uma obrigação dos dirigentes, empresários, comissão técnica e do próprio jogador entender esse processo e não se atirar com muito sede ao pote antes de estar preparado. Ocorre que a atuação no Mineirão serviu de batismo para esse atacante de sorriso fácil e das emoções nas palavras. “Meu celular não para de vibrar. Acho que é minha mãe e meus amigos me ligando’, disse após a partida em que só não fez chover em Belo Horizonte. Gabriel Jesus, resumindo, marcou dois golaços e deu passe para mais um, de Barrios na vitória por 3 a 2.

Não foram gols comuns e é isso que chama a atenção. Foram gols de provocar inveja na concorrência e gerar interesse de clubes de fora. Calma! O Palmeiras não vai vendê-lo nas próximas temporadas. O próprio Gabriel Jesus já disse que gostaria de fazer história e ganhar títulos antes de bater asas, o que certamente vai acontecer em sua carreira. Está muito cedo e ainda é prematuro comparações, mas Gabriel Jesus tem a pegada de Ronaldo Fenômeno quando despontou no Cruzeiro, inteligente, habilidoso, veloz e com faro de gol, além de uma aura natural em seus olhos. Vivo condenando essas comparações prematuras, mas vi um pouco de Ronaldo Fenômeno na atuação de Gabriel Jesus contra o Cruzeiro na quarta. É claro que é preciso dar tempo a ele e espero que o garoto nem leia essas linhas para não se ‘achar’, como a molecada diz hoje em dia. Mas Gabriel tem muito de Ronaldo e ninguém me tira isso da cabeça. Se for metade do que Ronaldo foi, será craque.

De modo que Marcelo Oliveira achou um atacante e agora se vê refém de usá-lo. O batismo de Gabriel Jesus o tornou opção para a formação do Palmeiras nas próximas partidas. Não há mais o que esperar ou amadurecer. O que ele mostrou em Minas é mais do que suficiente para credenciá-lo aos jogos. E ele sabe disso. Não há mais o que esperar. Não há mais o que amadurecer. Não há mais dúvidas sobre seu talento.

Sobre as conquistas para esta temporada, a Copa do Brasil está encaminhada e na segunda-feira a CBF sorteia os confrontos para as quartas. O Palmeiras vai se dando bem em jogos de ida e volta. Como passou pelo Cruzeiro, já se acostumou com as pedreiras. Quem vier, veio. No Brasileirão, o time precisa encaminhar umas três vitórias seguidas, o que não é fácil neste returno, para se colocar com segurança entre os primeiros colocados. Aí sim poderá sonhar profundamente com a taça.

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