Gallo diz que a molecada chega aos clubes cheia de marra, e que poucos sabem de tática

Robson Morelli

23 de julho de 2013 | 11h13

Alexandre Gallo esteve na redação do Estadão nesta segunda-feira. Ele é coordenador e técnico das categorias de base da CBF. Cuida da molecada. Disse que há 32 mil meninos jogando bola nos clubes brasileiros e que tem mapeado cerca de 350 que podem servir o Brasil nas categorias Sub-15 a Sub-20 (esses já nos seus clubes profissionais).

Revelou, entre outras coisas, que os dirigentes de clubes são quase reféns desses meninos bons de bola e seus empresários, que eles chegam aos clubes cheios de marras e escorados por contratos rescisórios de R$ 30 milhões, R$ 40 milhões, R$ 50 milhões, e que por causa disso, fazem o que bem entendem. Explicou que os cartolas aceitam situações como essa porque passam anos tentando formar o craque para ganhar dinheiro. O único compromisso é quase sempre com o dinheiro que aquele moleque vai dar ao clube em questão de tempo. Falou que tem moleque de 17 anos ganhando R$ 60 mil por mês.

Gallo se aproximou muito da dupla Felipão e Parreira na Copa das Confederações. Os ajudou a conhecer melhor os adversários. Foi Gallo quem disse a Felipão para ele deslocar Oscar para marcar Busquets e deixar Piqué livre para sair com a bola no time espanhol. Mostrou para Felipão que o zagueiro era inofensivo com a bola nos pés, só toca de lado e erra mais que acerta. Deu no que deu.

Nas bases, Gallo jogou tudo que havia fora e recomeçou quase que do zero. Seus métodos, de envolvimento e comprometimento, segundo ele, começa a ser espalhado pelos clubes do Brasil. Ele dá palestras para dirigentes na tentativa de vender a sua ideia e deixa claro que jogador marrento não é convocado para as bases, pode ser o craque que for. Todo presidente de clube sabe que garoto na seleção é valorizado. E fora, pode ficar pelo caminho. Ficou indignado ao ver um moleque de Sub-15 se recusar a cumprimentar o treinador do seu próprio time. Disse que tática não existe nessas categorias.

Gallo sempre foi um volante comprometido e quer passar isso para as bases. Confessou que já bateu muito a cabeça nessa função de técnico, mas que aprende a cada dia, sobretudo a entender melhor as pessoas e que cada um é diferente do outro. Admitiu que projeto nenhum o tira da CBF até 2016.

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