Ganhar do Japão é fácil: um rival que parecia o Brasil diante da Alemanha na Copa do Mundo

Dunga tem quatro vitórias em quatro partidas, mas isso não quer dizer nada, sobretudo neste jogo com os japoneses, dada a fragilidade do adversário. Falta muito ainda para reconquistar o torcedor

Robson Morelli

14 de outubro de 2014 | 12h48

Essa seleção não me engana mais. Não caio, como a maioria do torcedor, nessa armadilha de achar que o Brasil está no caminho certo, que tudo está bem e que Dunga é o cara. Os 7 a 1 da forma que foi diante da Alemanha na Copa do Mundo ainda bagunça o futebol nacional e coloca um gigante ponto de interrogação sobre o rendimento da time brasileiro, agora comandado por Dunga. Foi bom ganhar do Japão por 4 a o porque é sempre bom ganhar, mas o rival, cá entre nós, parecia o próprio Brasil diante da Alemanha.

A seleção será reavaliada depois que passar por testes mais duros, mostrar uma forma de jogar mais sólida, apostando na combinação eficiência e talento, do jeito que o brasileiro gosta. E, claro, erguer taças. A Copa América do Chile vai ser um bom primeiro teste. As Eliminatórias também. Mas que ganhar, no entanto, o torcedor precisa ver no Brasil uma forma clara e eficiente de jogar. O time precisa recuperar a confiança do torcedor.

Diante de um Japão frágil, é fácil tocar, preencher os espaços vazios, triangular de pé em pé. Dunga fez alterações e o time manteve-se no ataque. Contra a Argentina, semana passada, foi mais duro e o resultado poderia não ter sido aquele 2 a 0, com gols de Tardelli. Os 20 primeiros minutos foram argentinos. Messi perdeu pênalti. Contra o Japão, daria para destacar, ressaltando as condições do adversário, a boa movimentação dos jogadores de Dunga, a inteligência de Neymar e Tardelli, e a entrada sem receio de Philippe Coutinho. Também gostei de ver o treinador abrir mão de Elias, um volante, para a entrada de Kaká, um meia. Só não sei se isso será possível na cabeça de Dunga em jogos mais duros e difíceis.

Por isso que digo que ganhar, embora importante, não pode ser o único objetivo  desta seleção. O Brasil até poderia ter perdido para a Alemanha na Copa, como perdeu, mas se fosse de uma forma mais competitiva, mostrando um futebol mais digno da tradição do País em Mundiais, com jogadores menos presos e mais inteligentes, talvez o Brasil não estivesse repensando tudo dentro de campo. Lembro ainda que Dunga, antes de chegar em Johannesburgo para a Copa da África do Sul, em 2010, também havia faturado tudo. E deu no que deu.

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