Gerente do Corinthians dá puxão de orelha em Romarinho e Mano

Robson Morelli

17 de março de 2014 | 18h26

Romarinho e Mano Menezes obrigaram a diretoria do Corinthians a pedir desculpas em público para seus rivais do Morumbi. Todo mundo sabe o tamanho dessa humilhação. Poderia ter sido uma decisão mais dura se fosse tomada nos tempos de Andrés Sanchez no comando, quando os dois clubes não se falavam tampouco se sentavam à mesma mesa para discutir as coisas do futebol. Além de gozados pela torcida são-paulina, o gerente de futebol do Corinthians, Edu Gaspar, ainda teve de colocar panos quentes nas declarações do atacante e insinuações do treinador. Tudo porque a dupla saiu atirando e acusando o São Paulo após o time de Muricy ter pedido para o Ituano, resultado que ajudou a eliminar o Corinthians do Paulistão. “Eles entregaram”, disse Romarinho, sem sombras de dúvida. Mano se apegou à justiça dos deuses do futebol, certo de que eles um dia vão condenar o São Paulo.

Nunca teremos certeza se os jogadores do São Paulo fizeram corpo mole, como acusou Romarinho, a não ser que um deles um dia conte para alguém, que reconte para um jornalista, que publique uma reportagem sobre o assunto. Caso contrário, se nenhuma informação sair do vestiário do Tricolor, teremos de acreditar na versão de que no futebol ninguém trabalha para perder. Particularmente, prefiro ficar com todas as explicações dos jogadores do São Paulo e do próprio técnico Muricy sobre a honestidade e o comprometimento do trabalho do elenco. Não entra na minha cabeça, como disse domingo na Rádio Estadão para o amigo e apresentador Weber Lima, a possibilidade de um time entregar o jogo.

O fato é que ficou duplamente feio para os corintianos. Acusaram sem ter provas, quando na verdade deveriam fazer uma autoavaliação do que mostraram nesses primeiros três meses de Paulistão sob o comando de Mano Menezes e descobrir que o trabalho foi ruim, para dizer o mínimo. Não ganhar do Penapolense domingo, por si só, já é um sinal da fragilidade e do fracasso da equipe nesse começo de temporada. Não digo aqui que o Corinthians esteja sem rumo ou na estaca zero depois dessa eliminação, mas é preciso reconhecer os erros e as limitações para poder melhorar, e não se defender colocando a culpa nos outros, como fez Romarinho e como insinuou Mano.

Além dos três empates que o Corinthians amargou no Estadual, houve cinco tropeços, quatro deles seguidos. A saber: diante de Bragantino, São Bernardo, São Paulo, Santos e Ponte Preta. Portanto, o empate com o Penapolense apenas serviu como pá de cal para uma campanha que vinha se arrastando desde o começo. Que Romarinho, um corintiano enraizado do clube e identificado com a torcida desde o berço, não soubesse de nada disso ou não enxergasse os próprios problemas, vá lá. Mas a reação do treinador foi para lá de absurda. Mano vem de dois trabalhos ruins, um na seleção, que até nem considero tão ruim assim, e outro no Flamengo, mas não precisa dessas artimanhas para se defender diante de obstáculos do futebol. A destacar, a hombridade de Edu Gaspar de assumir a culpa, a responsabilidade e o puxão de orelha em quem merece.

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