Golzinho salvador o de Dracena

Robson Morelli

29 de abril de 2010 | 10h30

TEXTO PUBLICADO NO JT

Atacante que é atacante pisa no gramado convicto de que vai beliscar ao menos um golzinho. Diego Tardelli fez quatro ontem, mas só três valeram na vitória de 3 a 2 sobre o Santos, pela Copa do Brasil. Nem Vanderlei Luxemburgo imaginava que seu homem-gol pudesse arrebentar o time-sensação do País no primeiro duelo, em Minas. O resultado levará o Galo para a Vila Belmiro, quarta-feira, podendo empatar. Se o Santos vencer por 1 a 0, ficará com a vaga.

Até lá, Tardelli será carregado nos ombros pelos atleticanos, mesmo com a vantagem sendo considerada pequena pelos jogadores de Minas. O santista mais despeitado até poderia dizer que Tardelli teve noite de Neymar. Mas estaria errado, sendo injusto. Porque não é de hoje que o atacante sabe o caminho das redes no Mineirão. Antes de entrar no gramado ontem, ele já tinha em seu cartel de 75 partidas pelo clube 54 gols. Aumentou uma partida na conta e três gols no balaio.

Mas o jogo não foi de um personagem apenas. No banco, dois técnicos que trabalharam para ganhar, mesmo às vezes fechando alguns setores. Um passo para trás para dar dois pra frente. Luxa mordeu a mão quando sua equipe sofreu o segundo gol, de Edu Dracena, zagueiro por quem ele brigou para levar ao Santos quando estava na Vila.

Ele sabia que a decisão do Campeonato Mineiro contra o nanico Ipatinga seria refresco diante do Santos, de Robinho, Ganso e Wesley. Sabia porque forjou muitos desses jogadores na Vila e, talvez por isso, tenha recebido de cada um deles forte abraço antes do início do duelo. Não foi um abraço falso, mas ele sabia o que fazer para anular cada um dos seus ex-pupilos.

O técnico mexeu suas peças para fazer um “anti-Santos”. Combateu o talento de Ganso com Ricardinho. Muriqui era uma versão mineira de Wesley: serelepe e sempre pronto para chutar a gol. E Tardelli fez o que poderia ser a função de Robinho no Peixe: marcou os gols.

Dessa forma, Luxemburgo deu ao Santos um pouco do seu próprio veneno: toque de bola com qualidade no meio, velocidade pelas laterais e muita movimentação na frente.

E assim o Galo cantou alto em seu terreno e fez o goleiro Felipe manter a esperança de classificação do Peixe para as semifinais com defesas de levantar o torcedor. Diga-se, aliás, que os dois goleiros, tanto Felipe quanto Aranha, fizeram valer o ingresso. No ataque, o Santos foi o mesmo de sempre: perigosíssimo e com Robinho jogando por ele e por Neymar – que não estava em campo. Foi lá e cá até o fim. Que jogo! A festa mineira durou até os 37 do segundo tempo, quando Dracena diminuiu e recolocou o Santos no páreo, e agora em sua casa.

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