Há muitas regras inúteis no futebol, mas a de proibir comemoração de gol é a pior delas

A juizada segue recomendação da Comissão de Arbitragem, que navega orientada pela Fifa. Mas será que tem de ser assim mesmo?

Robson Morelli

03 de abril de 2017 | 14h00

Aconteceu com o atacante do Palmeiras, Róger Guedes, ao festejar o terceiro gol do time contra o Novorizontino na vitória por 3 a 1 pelo Paulistão, domingo. O alemãozinho correu muito durante a partida (seu gol foi aos 44 minutos do segundo tempo), ajudou na marcação e no ataque, foi de área a área em mais de uma vez. Aí vem o gol no finalzinho. O cara explode de felicidade e se pendura no alambrado, grades que estavam bem próximos ao gol rival, quase que o chamando para subir e comemorar com a torcida palmeirense. Ele foi. E recebeu o cartão vermelho depois do segundo amarelo – já tinha um amarelo. Pronto. Róger Guedes está suspenso do jogo de volta pela fase de quartas de final do Estadual. O Palmeiras encaminhou a classificação e vai se superar sem o atacante, não tenho dúvidas.

Ocorre que a regra do cartão nas comemorações de gol precisa acabar. Ela tem sido inútil, vergonhosa e contrária à alegria do futebol, como disse Felipe Melo ao fim da partida em Novo Horizonte. Outro dia, Cueva, do São Paulo, foi devidamente advertido porque levou a mão à orelha, querendo ouvir a torcida, a dele ou a rival. Isso tem de acabar.

A juizada dá cartão porque é orientada a fazer isso nessas situações. A comissão de arbitragem diz seguir recomendação da Fifa. Essa determinação nasceu da preocupação com a violência nas provocações em campo. Ora, isso é balela.

Sou do tempo em que Viola imitava porco, que Paulo Nunes punha a máscara da Feiticeira ou fazia referência ao Mundial do Japão. E mesmo assim, o pau não comia por causa disso. Hoje, briga-se, é verdade, por muito menos, mas não se pode tirar mais essa alegria do futebol. Já estamos (em São Paulo) vendo clássicos com torcida única, Fla-Flu sem interesse, decisões que não valem nada. Seria demais continuar com essa punição na hora do gol. É preciso ter bom-senso, mas bom-senso nunca foi o forte da arbitragem. Caso a comemoração do gol seja ofensiva, gere algum problema, aí sim o árbitro teria a prerrogativa de tomar alguma atitude. Caso contrário, a festa deveria ser liberada.

Enquanto isso não mudar, se é que vai mudar um dia, os jogadores precisam saber que é proibido festejar no alambrado ou com qualquer gesto diferente da tradicional corrida pelo gramado. Terão de se conter, gritar, esmurrar o ar, mas sempre dentro das quatro linhas. Vai chegar o dia em que não vão comemorar mais. Espero que não chegue.

Tudo o que sabemos sobre:

Palmeiras; futebol; gol

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.