Imbecilidade de mulher no Beira-Rio pode acontecer em qualquer estádio do Brasil

Imbecilidade de mulher no Beira-Rio pode acontecer em qualquer estádio do Brasil

Quando optamos em separar torcidas, passamos a 'estimular' pessoas que não sabem conviver com o outro, com cores e opções diferentes das nossas

Robson Morelli

22 de julho de 2019 | 14h32

Cena lamentável de uma mulher desprezível… A mulher que o Brasil viu empurrando e dando socos no braço de uma mãe com seu filho de 6 anos chorando por causa da confusão no Beira-Rio é produto também de algumas decisões que tomamos lá trás no futebol, quando decidimos separar as torcidas rivais e segregar o outro nos estádios de futebol.

A culpa também é nossa… A moça com as cores do Internacional (um time que respeito muito) tentou tomar de uma mulher vestida de preto uma camisa do Grêmio. Ela estava com seu filho no empate de 1 a 1 do Gre-Nal pelo Campeonato Brasileiro, sábado. Mãe e filho não conseguiram comprar ingressos para o setor misto do estádio e resolveram ficar em outro lugar, bastante vazio, por sinal. Mas a mulher com as cores do Colorado não resistiu e não suportou dividir o espaço com alguém de outro time, como fazíamos antigamente nos estádios de São Paulo, por exemplo. Nas numeradas do Morumbi, Parque Antártica e Pacaembu, pelo que me recordo, todos sentávamos juntos, rivais e não rivais, e cada um se divertia conforme tocava a banda. Sem brigas, com algumas provocações, mas feito pessoas razoáveis e não imbecis como a moça de vermelho. E todos aqueles marmanjos que não fizeram nada e acham, como a moça de vermelho, normal tudo aquilo.

Imbecil… Digo que a culpa é nossa. No caso de São Paulo, do Ministério Público, da Polícia, dos clubes mandantes, da Federação Paulista e seus dirigentes, da CBF. A decisão de fazer jogos com torcida única acaba de vez com a convivência entre partes diferentes, entre vizinhos que torcem para times opostos, entre gente que não pensa como a gente. Cria-se, então, já num ambiente propício para isso, verdadeiros monstros do futebol, como a moça de vermelho, que não tolerou dividir a bancada com uma gremista só por estar no Beira-Rio. Na sua cabeça, ali, naquele pedaço, só colorados. Imbecilidade sem tamanho.

Não é fato isolado… Não resolve o Inter tomar agora providências contra ela, como se fosse um caso isolado, não é. Mas expulsá-la do Beira-Rio até ela aprender a conviver com pessoas diferentes dela já é um alento para os que se revoltaram com as cenas. Em nenhum momento a moça de vermelho se sentiu coagida pelo menino de 6 anos chorando. Em nenhum momento. De fato, é revoltante.

Tudo o que sabemos sobre:

futebolBeira-RioInternacionalGrêmio

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: