Intolerância é só para quem não consegue argumentar

Torcedora do Palmeiras é colocada para fora de trem do metrô por corintianos

Robson Morelli

28 de setembro de 2018 | 12h29

A imagem da garota com a camisa do Palmeiras sendo “expulsa” do trem do metrô por um bando de corintianos, homens e mulheres, intolerantes ainda choca. Infelizmente, esse tipo de comportamento no futebol, brasileiro e mundial, não é novidade. Nem por isso, no entanto, devemos nos conformar, como também não devemos nos conformar, nunca, com crianças pedindo em farol ou pessoas dormindo na rua. Estamos tão imunes e anestesiados com as coisas que nos rodeiam, que não nos damos conta de que devemos reagir, não aceitar, reclamar, correr atrás dos nossos direitos.

Pois é direito dessa moça palmeirense trafegar nos trens do metrô com a roupa que bem entender, desde que não esteja ferindo os direitos de ninguém nem as regras dos lugares ou instituições. A intolerância, vista nas imagens das redes sociais, dos corintianos nada mais é do que a falta de argumento de dialogar.

Vivemos num mundo em que não se pode gostar do que não é comum. Isso é um absurdo. O futebol, que tantas alegrias nos deu e dá, também nos enche de vergonha quando se rende à intolerante. Corrijo: não é o o futebol que é intolerante, mas seus torcedores. Intolerantes porque não aceitam os “contras”, os de outras cores, os de outros credos. E não há argumento plausível capaz de explicar e justificar tal agressividade, como se viu dos corintianos contra uma moça palmeirense.

Felizmente, a intolerância não contagiou o clube. O Corinthians pediu desculpas em nome de sua gente e se declarou totalmente contrário ao ato. Ótimo que isso tenha acontecido. Seria bom também se nossos governantes da ordem (em época de campanha, todos são pela ordem, diga-se) colocassem policiais para monitorar esse tipo de ação nas linhas e estações de metrô todos os dias. É um dever da cidade permitir que as pessoas se sintam seguras nela.

O episódio partiu de corintianos imbecis, mas poderia muito bem ter partido de representantes de outros times de são-paulo e do Brasil. Essa intolerância condenável está aí, espalhada por toda parte, contra as minorias, sobretudo. O futebol não é isso. A sociedade não é isso. O ser humano, na sua essência, não é isso. Tomara um dia tudo isso mude. Tomara eu esteja vivo para ver isso.

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