Jair Ventura é traído no Corinthians, pela direção e pelos jogadores do time

Jair Ventura é traído no Corinthians, pela direção e pelos jogadores do time

Clube negocia nos bastidores a volta de Fábio Carille, campeão paulista desde ano e do Brasileirão de 2017

Robson Morelli

28 de novembro de 2018 | 09h56

O Corinthians costura nos bastidores a demissão do técnico Jair Ventura e a contratação de Fábio Carille. Isso acontece depois de pouco mais de dois meses após a chegada de Jair, quando o ex-treinador do Santos e do Botafogo foi anunciado pela direção do clube como substituto de Osmar Loss. Há uma traição em marcha nesta história. Uma traição a Jair Ventura. Ela é conduzida pela diretoria do clube, mas também pelos jogadores, que se calam diante da movimentação com o fácil e nada comprometedor argumento de que “isso é com a direção do Corinthians, nós temos de nos preocupar em jogar futebol”.

Pode até ser. Mas penso diferente. Quando o grupo ganha partidas e campeonatos, todos falam em união e trabalho em conjunto. Lindo. Quando perde, deixa-se o “perdedor” ir para a fogueira sozinho. Mas então que raio de união e de grupo é esse? Não concordo com isso, mas entendo que os jogadores de hoje são mais preocupados em jogar Fifa 19 e fazer tatuagens do que ter personalidade, levantar uma bandeira e brigar pela coletividade do elenco. Que saudade dos tempos em que havia Sócrates, Casagrande, Zico, Romário, Caju, Raí e tantos outros em campo capazes de impedir traições dessas que vão cometer com Jair.

Não morro de amores pelo treinador do Corinthians, filho do grande Furacão da Copa de 1970, Jairzinho, mas também não sou favorável a essas atitudes no futebol. Atitudes cada vez mais frequentes. O certo seria fazer como o Flamengo fez com Dorival Junior, contratado até o fim do Campeonato Brasileiro, aconteça o que acontecer. Entrou no lugar de Barbieri. O combinado não é caro. O combinado não é traição. No Brasil, os treinadores, dos times grandes pelo menos, são bem pagos, mas também são levados a um nível de estresse absurdo, muitas vezes com consequências sérias de saúde, e impossibilitados de traçar um caminho para suas carreiras. Eles não têm o menos controle do dia seguinte, do mês seguinte, da temporada. Não sabem se vão morar ou continuar morando em São Paulo, Rio ou Salvador.

Jair Ventura vai sofrer com isso se a troca for consumada como se espera. Terá passado por dois clubes grandes de São Paulo, Santos e Corinthians, e levará na bagagem a certeza da bagunça do futebol paulista, de sua gestão e das palavras jogadas ao ar que não se cumprem. Isso tudo, claro, é consequência de uma organização fraca no futebol brasileiro, de entidades descompromissadas, de dirigentes não confiáveis e também de uma classe de trabalhadores, a dos técnicos, desunida e interessada apenas e decisões individuais, como, aliás, a maioria dos trabalhadores no Brasil.

Jair Ventura, quando for demitido do Corinthians, deverá voltar para o Rio de Janeiro, sua base, ou para qualquer outra cidade do País, atrás do próximo contrato de trabalho.

 

 

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