Jô não consegue jogar mais, se arrasta em campo e não chega nas bolas. Talvez tenha chegado ao fim de linha

Jô não consegue jogar mais, se arrasta em campo e não chega nas bolas. Talvez tenha chegado ao fim de linha

Atacante tem 34 anos e passagens por grandes times, como o Manchester City; vestiu a camisa da seleção em Copa (2014) e Olimpíada (2008), mas está longe de ser o mesmo jogador

Robson Morelli

14 de abril de 2021 | 11h19

Muita gente pega no pé de Luan no Corinthians. O jogador custou R$ 29 milhões e não rende o que se esperava dele. Há, porém, um outro ídolo que se arrasta em campo. É Jô. O atacante está em sua terceira passagem pelo clube onde cresceu. A pior de todas elas. Jô não consegue correr. Não consegue chegar nas bolas. Não consegue mais carregar seu corpanzil de 1,89m.

Foto: Estadão Conteúdo

É muito difícil ver um ídolo do time nessas condições. Mancini teve algumas conversas com ele nesse sentido, mas elas não surtiram efeito. Não há informações de contusão. No visual, ele parece acima do peso, mas sem garantias disso porque o clube não revela esses detalhes. E como está jogando, sendo escalado, não deve estar fora de condições.

Ocorre que Jô é um jogador a menos no time. Aos 34 anos, ele não consegue mais acompanhar a correria dos mais novos, os passes mais esticados para chegar à frente da marcação. Jô não pode ser mais centroavante. Mancini poderia colocá-lo, por respeito, na armação, fazendo os passes que em outros tempos ele se lançava para pegar. Ocorre que suas assistências estão zeradas. Teve uma no Paulistão do ano passado, quando fez quatro partidas e marcou dois gol. Neste Estadual, entre tantas idas e vindas, o atacante esteve em campo em seis jogos, com um gol até agora, e muitos outros perdidos. Não deu nenhum passe para gol.

Jô está bem longe do que foi um dia. O jogador já vestiu a camisa do Manchester City, atualmente um dos melhores times do futebol inglês e da Europa. Já disputou Jogos Olímpicos, em Pequim, 2008, sob o comando de Dunga. Naquela ocasião, o Brasil ficou em terceiro lugar, com o bronze, e Jô era reserva de Alexandre Pato. Também esteve na Copa do Mundo de 2014, como suplente de Fred. Ambos viviam fase ruim. No Brasileirão 2020, que acabou nos primeiros meses deste ano, Jô foi escalado em 30 partidas. Ele marcou seis gols.

Recentemente sua mulher reclamou das críticas que o marido recebia nas redes sociais dos próprios torcedores do Corinthians. Pediu respeito. Fosse num elenco melhor, com outros atletas e em fase de futebol mais vistoso, Jô poderia entrar e sair sem ser cobrado. Mas na condição atual da equipe, ele é o “craque” do grupo, o jogador para quem os meninos olham… e Jô está longe de ser uma referência. Mancini e a diretoria deverão fazer algum encaminhamento em relação ao atacante. Talvez ele precise de mais tempo para entrar em forma. Talvez ele precise repensar o lugar do campo que vai atuar. Talvez ele deva parar para preservar sua própria história, de um bom atacante.

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