José Maria Marin começa a enfrentar resistência no Comitê da Copa

Robson Morelli

10 de abril de 2013 | 12h30

O cheiro começa a ser forte contra o presidente da CBF, José Maria Marin. Há manifestações públicas pipocando pelo Brasil, algumas vindas de fora, mais precisamente da Suíça, contra a permanência do cartola no comando do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo, cargo, diga-se, herdado por ele de Ricardo Teixeira, que abandonou o barco em meio à uma série de acusações ainda não explicadas totalmente e que foi morar bem longe do Rio, em Boca Raton, nos Estados Unidos. Marin começa a sofrer as mesmas acusações, e ainda pesa contra ele sua participação nos tempos de chumbo do País.

Seria a segunda alteração desde que o Brasil, de forma geral, começou a mexer na competição mais importante do futebol mundial. Nova troca a essa altura do jogo, seria uma demonstração péssima de falta de comando, desprestígio e bagunça, ou outro sentimento qualquer dessa natureza, diante da nossa capacidade de organizar um evento de grande porte. É claro que o futebol vai acontecer de qualquer maneira, já a partir de junho, quando o Brasil recebe a Copa das Confederações, meio teste para a Copa do Mundo. Disso não há dúvidas. Ocorre que nossa imagem ficará arranhada por tantas trocas. Marin, se cair do COL, dará inúmeras explicações para o fato. Pode até ter razão em algumas delas. Mas a impressão que fica é que ele bebe da mesma água de seu antecessor. E aí é mais um gol contra do Brasil, mais um chute no traseiro, para usar a frase dita e depois ‘desdita’ pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, sobre a lentidão das obras dos estádios no ano passado. Seremos um País, ao menos no esporte internacional, movido a chutes no traseiro. Uma vergonha.

De modo que se isso acontecer de fato, ficará muito claro que quem dá as cartas no país do futebol em relação à Copa do Mundo é a Fifa e o governo brasileiro. A CBF e Marin apareceriam nessa composição como meros coadjuvantes, a turma do abraço e do sorriso. Isso não muda nada o desenrolar da competição e de sua organização. Nada. A não ser o prestígio abalado da entidade sediada no Rio e de seu comandante maior. A Fifa estaria de olho em Ronaldo Fenômeno para essa função. Na verdade, sempre esteve, mesmo embora o ex-jogador insiste em costurar compromissos que se confrontam, como ser comentarista da Globo e responsável pela Copa. Será pedra e vidraça no mesmo lance. Ronaldo garante, dentro da conduta que fez no futebol, que não economizará uma frase sequer para criticar, quem sabe, possíveis condições ruins dos novos estádios e de nossos organizadores. Será?

O Ministério do Esporte não tem poder para tirar Marin ou quem quer que seja de suas funções no futebol. A solução, se Brasília quiser mesmo levar esse caso adiante, é apelar para senadores e deputados federais. Romário é quem mais bate de frente com Marin. Ambos se acusam. O ex-atacante anda pegando pesado contra o presidente da CBF. Vai ser processado por isso, não há dúvidas. Talvez nem dê tempo para qualquer movimentação legal sobre isso, diga-se. Afinal, a Copa das Confederações já está nos nossos calcanhares e a Mundial corre bem perto de ter tudo pronto até o fim do ano. Mas que o cheiro é forte, é.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.