Juan Carlos Osorio não estava preparado para o futebol brasileiro

Treinador foi 'criado' de outra forma, mesmo na Colômbia, e não imaginava que o País pentacampeão fosse dessa maneira, com mandos e desmandos

Robson Morelli

06 de outubro de 2015 | 16h38

Juan Carlos Osorio não imaginava que o futebol pentacampeão do mundo, mesmo em baixa após a Copa do Mundo, o 7 a 1 da Alemanha e a corrupção investigada, fosse tão desorganizado como é. Não imaginava que o São Paulo, referência na América por causa de suas Libertadores, pudesse ter gente tão despreparada para comandar como mostra-se Carlos Miguel Aidar e seus seguidores (cada vez menos, diga-se). A desculpa de que o clube se desfez de alguns jogadores importantes, como de fato aconteceu, para mim não passa de uma ‘simples desculpa’. Osorio percebeu onde havia amarrado seu burro, e se arrependeu em três meses.

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É claro que há a oferta do México, seu sonho de comandar uma seleção na Copa e tudo mais. Mas isso não seria sustentável se Osorio estivesse feliz no São Paulo, com a gente do Morumbi. Não está. Nunca esteve.

Nunca fui fã de Osorio e continuo entendendo que o futebol brasileiro não precisava de um treinador-estudante colombiano, mas estou com ele em sua decisão de pular fora. O São Paulo se perdeu desde que Juvenal Juvêncio destruiu o sonho de Leco de assumir o clube, dando apoio irrestrito a Aidar, que se fez presidente e, desde então, só faz lambança no comando.

Digo que Osorio não estava pronto para o futebol brasileiro porque, fosse outro em seu lugar, a vida seguiria sem sobressaltos, como tem sido por aqui há anos. Na verdade, talvez o futebol brasileiro não esteja preparado para homens como Osorio. Não é a dignidade que move os treinadores do Brasil. O que os move é continuar empregado. Ou você, meu amigo, acha que qualquer outro treinador brasileiro, mesmo Muricy Ramalho, falaria numa entrevista que ‘não confia na diretoria do clube’. Poucos teriam essa coragem. Apenas os demitidos. Osorio falou isso e permaneceu no cargo. Disse a verdade.

Aidar e seus seguidores tiveram de ouvir isso e permanecer calados. A carapuça serviu. Era um estrangeiro apontando as falhas dos gestores de um dos melhores clubes do Brasil. A passagem de Osorio pelo futebol brasileiro foi meteórica, mas do ponto de vista de lisura e honestidade, ela vai deixar saudade. O futebol precisa de profissionais menos submissos, e há muitos desses empregados em todos os cantos, de clubes a federações, todos trabalhando apenas por dinheiro. Na maioria das vezes eles não realizam nada, não deixam legados, não constroem uma única ponte para o progresso. Vivem o dia e não conseguem enxergar nada além da ponta do nariz. Estão fadados a desaparecer e serem esquecidos.

Osorio é um treinador comum, mas é um profissional diferenciado. Todos no São Paulo testemunharam isso. Em três meses, deixa sua história. Sai por um sonho, mas também por não se encontrar no Morumbi. E não por sua culpa.

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