Justiça do Rio recebe procedimento investigatório criminal contra Caboclo para marcar 1ª audiência

Nos corredores da confederação já circulam a informação de que o presidente afastado não retornará mais às suas funções, independentemente do desfecho do caso na Comissão de Ética e no Juizado Especial Criminal

Robson Morelli

03 de agosto de 2021 | 14h00

O Juizado Especial Criminal do Rio de Janeiro está prestes a marcar, em documento oficial, a primeira audiência das três previstas após o Ministério Público ‘judicializar’ procedimento investigatório criminal contra o presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo. Isso quer dizer que ele terá de cumprir os ritos judiciais da acusação de assédio sexual e moral, ameaças e afastamento cautelar. A decisão deverá ser tomada em breve. A primeira audiência será com um conciliador do Juizado Especial Criminal, antes de chegar, portanto, em um juiz. A informação já corre pelos corredores da sede da entidade na Barra da Tijuca, onde seus conselheiros se reúnem na tarde desta terça-feira para apontar caminhos para a confederação.

Foto: Wilton Jr/ Estadão

Só depois dessas três audiências é que poderá haver uma denúncia. Em uma dessas audiências, por exemplo, poderá haver ações conciliadoras das partes, embora não haja indícios disso nesse momento.

Caboclo está afastado por 90 dias para responder ao Comitê de Ética da CBF por acusação formal de assédio sexual e moral contra uma funcionária que respondia diretamente a ele na entidade. Seus advogados afirmam que o dirigente explicará o que for preciso para provar sua inocência. Na bancada do futebol, o blog apurou que não há clima dentro da CBF para que Caboclo retome suas funções no comando do futebol. Dirigentes, vices e membros das federações estaduais não querem mais o cartola no comando.

Nesta semana, o dirigente sofreu novo revés. Sete dias após ter ordenado a destituição da diretora da CBF e a realização de novas eleições, a Justiça do Rio atendeu recurso da entidade e suspendeu a decisão até o julgamento final do recurso. A nova ordem judicial foi proferida no mesmo dia em que Rodolfo Landim (do Flamengo) e Reinaldo Carneiro de Bastos (da FPF), os dois dirigentes indicados pela Justiça para assumir a função de interventores na CBF, aceitaram a indicação ao assinar termo judicial oficializando a função. A partir de agora, eles vão responder pelas decisões da entidade.

Landim e Carneiro Bastos foram nomeados para, transitoriamente, cumprir as determinações judiciais, convocando o Colégio Eleitoral. As decisões foram tomadas dentro da ação civil pública ajuizada em 2017 pela 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e do Contribuinte do Rio de Janeiro, que acusou a CBF de mudar as regras eleitorais de forma irregular.

FIFA

A Fifa também anunciou que a suspensão imposta pela Comissão de Ética da CBF ao presidente Rogério Caboclo tem validade mundial – ou seja, a partir de agora ele está afastado provisoriamente de suas funções executivas no futebol não apenas no Brasil, mas em todos os países com federações filiadas à entidade com sede em Zurique. Vale lembrar que seu antecessor, Marco Polo del Nero, foi banido do futebol por corrupção.

Acusado de assédios moral e sexual por uma funcionária da CBF, Caboclo foi suspenso provisoriamente por decisão da Comissão de Ética da entidade em 6 de junho. Um mês depois, o órgão ampliou a sanção por mais 60 dias. Desde então, a CBF é comandada por um dos vices, Antônio Carlos Nunes.

 

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