Kleber, a Gaviões e o Palmeiras

Robson Morelli

23 de agosto de 2011 | 12h55

Um jogador de futebol tem o direito de se filiar ou ter seu nome vinculado oficialmente a uma torcida organizada? Esta é a pergunta que toma conta das discussões nesta terça-feira desde que a Gaviões da Fiel, do Corinthians, divulgou em seu twitter que o atacante Kleber, do Palmeiras, preencheu uma ficha de inscrição para se associar à uniformizada.

Isso foi em 2001, quando Kleber tinha 18 anos e ainda era jogador de base do São Paulo. Tenho pegado muito no pé de Kleber neste espaço, mas desta vez acho que os seguidores da Gaviões foram sacanas com o atacante. Soltaram a informação às vésperas do clássico de domingo entre Palmeiras e Corinthians. Provocação pura para tirar a concentração do jogador, sabedores do perigo que ele representa no ataque palmeirense, mesmo estando sem marcar desde junho.

Mas isso não responde minha pergunta. Acho que sim, mas  limitaria sua disposição de defender outros times da mesma cidade. Imagine um jogador do Cruzeiro sendo sócio da torcida do Atlético Mineiro. Ou de um atleta do Grêmio com ficha da organziada do Internacional.

O futebol brasileiro, talvez mundial, não está preparado para isso. A rivalidade, e em muitos casos boa dose de ignorância, ainda impera entre essa gente. É preciso pensar o assunto com cuidado para não esquentar um clima hostil por natureza entre as uniformizadas.

Digo que é preciso respeitar a decisão de Kleber, sobretudo porque ele tinha 18 anos e nem jogador era ainda. Todos sabem que o atacante não se esquiva de confusão, mas neste caso ele foi pego de calças curtas. Que o torcedor palmeirense entenda isso.

 

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